terça-feira, 27 de janeiro de 2015

JOSÉ PRIOR


JOSÉ AUGUSTO PEDRO PRIOR

1º. cabo MMA 70-72

        





Passados que foram os tempos da 2ª. incorporação e recruta de 1969 na Ota e após o curso de MMA, eis-me em Lisboa no AT1 durante 6 meses e, de seguida a 2ª Região Aérea. 
Em Lisboa, no AT1, controlava as horas de voo dos DC-6, seus órgãos com registo histórico e providenciava a sua substituição, recebia as cadernetas de voo com os registos dos pilotos e mecânicos, procedendo à feitura de cartas de trabalho para as diversas especialidades. Os DC-6 voavam muitas horas, sempre que iam “lá a baixo” (África), ao voltarem, havia inspecções  grandes ou pequenas a fazer. Quando surgiram os B-707, o comandante da Manutenção foi fazer o curso aos EUA, por lá ficou uns meses, e  eu que havia sido destinado por ele a continuar aquele serviço, fui mobilizado, e lá fui até África.
Novembro de 1970 viu-me chegar a terras do leste de Angola.
Para alguns de nós e para mim em particular, o facto de ter ido para o AB4, foi o melhor que me aconteceu, já que não suportava o clima quente e húmido de Luanda.
A base pareceu-me imensa, até adquiri uma “kinga” e nela me deslocava para todo o lado, ficou para alguém quando vim embora.
O primeiro trabalho que efectuei no hangar (era imposto aos maçaricos), foi limpar o cone de cauda de um DO-27 oriundo de destacamento para inspecção, e que eu, desconhecendo o grau de exigência da limpeza, deixei a brilhar. Por este “trabalho” realizado, que viria a ser o último, dispensaram-me por três dias.
A secretaria Técnica no hangar do AB4 foi pois a partir daí o meu local de trabalho, de onde estava de saída o Carlos Joaquim, mas onde ficou ainda até determinada altura, o Simão Cabral.
Foi lento o passar dos meses, e um dia, o Comandante foi ao hangar e pediu que lhe fizesse um organograma para a Unidade, semelhante ao que ali havia para a esquadrilha da Manutenção. Fiz esse trabalho no Comando de Pessoal, à noite, e foi aí que descobri (por ter acesso à minha ficha), que havia sido incorporado na Força Aérea (Aeronáutica), com destino a uma Especialidade, por 4 anos. Foi revigorante esta descoberta, pois sempre tinha pensado cumprir seis anos.
Entretanto, em Agosto de 1971, vim ao “puto” e casei.
O tempo passava devagar, e certo dia à hora de almoço, estava só no hangar (Mecânico Dia), o telefone tocou; era o Casca do posto de rádio: “Prior, tenho aqui um rádio oriundo da 2ª. Região Aérea que diz teres de estar em Luanda no dia (x) para embarcar para a metrópole como fim de comissão”. Faltavam então três meses para ela (a comissão) acabar. Só acreditei plenamente quando alguns dias depois a bordo do B-707, sobrevoei Luanda com destino a Lisboa.
Os últimos nove meses foram passados no DGMFA em Alverca.
Esta singela participação no Blog, não faz relatos de aventuras de operacionais intrépidos, porque não o fui, mas antes um resumo autobiográfico, muito breve, de um militar que serviu o País na Força Aérea, como ESPECIALISTA.

terça-feira, 30 de julho de 2013

MANUEL GAMEIRO (HOMENAGEM)

MANUEL GAMEIRO MARQUES


1º. Cabo MMA 71-73





                

Chamo-me Sandra Marques e sou filha do vosso companheiro Manuel Gameiro Marques, Mecânico de Material Aéreo de 1971-1973 no Aeródromo Base Nº4 de Henrique Carvalho.

Como é do vosso conhecimento, o meu pai já não está entre nós (dia 24 de Julho passam quatro anos após a sua partida), mas tenho a certeza que, onde quer que esteja fica contente por contribuir, ainda que desta forma, com algumas fotografias que decerto vos recordarão alguns momentos. Não tenho dúvidas que o faria quando descobrisse o blog, não sei se o chegou a conhecer ou se não teve tempo, mas se isso tivesse acontecido tenho a certeza que nos teria mostrado, contou-nos tantas histórias (algumas já sabemos de trás para a frente), falou-nos tanto dessa época … (talvez tenha sido tudo isso que me tornou uma apaixonada por aviões).

A título pessoal, ao fazer esta selecção de fotografias espero não só contribuir para que o meu pai seja sempre lembrado mas também que todos os companheiros do meu pai do AB4 nunca sejam esquecidos.

Envio um conjunto de 26 fotografias, as fotografias nº 1 e 2 são do meu pai e correspondem à época (71-73) e a 2009, respectivamente. 

As restantes fotografias não estão identificadas com data e local, mas penso que correspondem ao período em que o meu pai esteve na AB4. Quanto aos companheiros que aparecem com o meu pai também não posso ajudar a identificar, pois o meu pai não deixou as fotografias legendadas.

As fotografias nº 21 e 22  correspondem ao período em que o meu pai esteve na OTA.

O conjunto de fotografias do meu pai é grande, como tal estou disponível para enviar mais fotografias se assim quiserem, apesar de não saber com certeza se correspondem ao período de 71-73 do meu pai na AB4 ou do período de 73-74 na BA9 (Esquadra 92) mas certamente que  será fácil essa identificação.

Agradeço profundamente não terem esquecido o meu pai

Com os maiores Cumprimentos
ou melhor
Um Abraço (como o meu pai diria)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

ANTÓNIO RODRIGUES

ANTÓNIO PEREIRA
 RODRIGUES


1º. Cabo MMA 68-70








Caros companheiros
Obrigado pela vossa atenção.
Eis o meu curriculum militar:
06/10/66 a 22/12/66 – Período de recruta na BA2 Ota 
01/01/67 a 31/08/67 – Curso M.M.A. na BA2 Ota
01/09/67 a 09/12/67 – Incorporado no AB1 Portela
10/12/67 a 30/04/68 – Transferido para a BA7 São Jacinto.
01/05/68 a 14/06/70 – Mobilizado para Angola AB4 Henrique de Carvalho (mais ou menos passado um ano passei para o Luso, sendo o primeiro destacado para a esquadrilha de helicópteros, mais tarde conhecida como a esquadrilha dos SALTIMBANCOS)15/06/70 a 01/10/70 – Retorno ao AB1 Portela
02/10/70 FIM DO SERVIÇO MILITAR – Passagem à reserva.



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

JOSÉ CONCEIÇÃO


JOSÉ OLIVEIRA CONCEIÇÃO

Furriel MMA 71-74






Estive em Henrique de Carvalho, Furriel Miliciano, MMA, desde Dezembro 1971 até Janeiro 1974.Ota, Base Aerea Nº.2, Maio/69São Jacinto, Aveiro, Base Aerea Nº.7, 1970Ota, Base Aerea Nº.2, curso de Sargento Miliciano, 1971Sao Jacinto, Aveiro, Base Aerea Nº.7, 1971Henrique de Carvalho, Angola, 23 Dezembro 1971São Jacinto, Aveiro, Base Aerea Nº.7, Janeiro 1974Disponibilidade, Maio 1974.Estados Unidos da America, Marco 1975.Estou tentando contactar alguns dos amigos que encontrei durante os anos que passei entre a Ota-Aveiro-Henrique de Carvalho-Aveiro.

ObrigadoJosé Conceição

sexta-feira, 20 de julho de 2012

JOSÉ NETO


JOSÉ FRANCISCO NETO

1º. Cabo PA 65-67





Assentei praça em 15 de Janeiro de 1964, em Tancos, na velha BA3, onde fiz a recruta, o curso de PA (salvo erro o 2º desta especialidade assim em larga escala) e a escola de cabos.Seguidamente fui colocado na BA2 – Ota, onde permaneci cerca de 11 meses. Quando já ia pensado na “peluda” fui mobilizado para o AB4 – Henrique de Carvalho – Angola.
Em Angola estive 27 meses (de Maio de 1965 a Agosto de 1967).Nunca fui destacado para qualquer dos dois AMs que existiam na altura (Camaxilo ou Cazombo).Algum tempo depois de ali chegar fui colocado na secção de armamento da PA, onde permaneci sempre, estando dispensado de formaturas e de alguns serviços próprios da PA, como por exemplo Porta d’Armas, rondas à cidade ou serviço aos paióis.Gostaria de me lembrar de alguns episódios relevantes, mas infelizmente já não consigo recordar com nitidez a maior parte dos acontecimentos por que passei. É que a “p.d.i.” não perdoa o facto de haverem passado mais de 45 anos.Estive a dar uma vista de olhos no Blogue e recordo-me de algumas caras que ali estão, mas, de momento, não me ocorre qualquer lembrança especial em relação a algum desses companheiros. Porém, posso acrescentar que nunca tive qualquer problema de relacionamento com ninguém, militar ou civil, pois, como sabeis, já nesse tempo trabalhava no AB4 muita gente civil. Também é de salientar que, nós militares, mantínhamos entre todos uma salutar camaradagem, fizemos ali amigos para toda a vida.E pronto, caros companheiros, podem contar com a minha colaboração, mas por hoje é tudo.
Um forte abraço para toda a equipa,


José Neto
(ex-1º cabo PA nº 43/64)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

MANUEL CURA

MANUEL FRANCISCO CURA FERNANDES

1º. Cabo EABT 72-74






Amigo Rui, muito bom dia.
É sempre um prazer voltar a falar dos bons tempos que se passaram.
O meu percurso militar foi o seguinte:
- Janeiro de 1971 - recruta na Ota.
- Janeiro de 1972 - BA 7 - S. Jacinto - Aveiro
- Setembro de 1972 - Partida para Angola.
- Novembro de 1972 .- LUSO até Outubro de 1974
- Novembro de 1974 até Fevereiro de 1975 - Alverca.
Com os melhores cumprimentos
Manuel Cura


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

SÉRGIO DURÃES

SÉRGIO PINHEIRO DURÃES

1º.Cabo OPC 70-72








Data de Nascimento: 13 de Fevereiro de 1949
Naturalidade: Sacavém
Recenseado pelo Concelho de Loures, freguesia de Sacavém, sob o Nº66 em 1967
Alistado e incorporado como voluntário, em 19 de Janeiro de 1968.
Pronto da escola de recrutas em 3 de Maio 1968.
Termina o curso de operador de comunicações com a classificação de 13,38 valores.
Promovido a 1º cabo OPC em 21 de Dezembro de 1968.
Termina o curso de formação de operador de comunicações (estágio) com aproveitamento, e com a classificação de 14,70 valores, em 04 de Abril de 1969.

Colocações
Base Aérea Nº.2, Nº.287/68 em 19 de Janeiro de 1968
GDACI , Nº.529/68 em10 de Abril de 1969 (Colocado no comando da 1ª. RA)
Aerodrómo Base Nº.4 (2ª. R.A), Nº.192/68 em 09 de Julho de 1970
Aerodrómo Base Nº.4, Nº.287/EP em 01 de Janeiro de 1972
Aerodrómo Base Nº.1, N.º311/68 em 27 de Agosto de 1972
CRM1, Nº.3375 em 01 de Janeiro de 1974
Disponibilidade e espólio em 03 de Janeiro de 1974
2ª. Classe de comportamento em 19 de Janeiro de 1968
1ª. Classe de comportamento em 19 de Janeiro de 1971
Condecorado com medalha de cobre de comportamento exemplar (OS 157/71 - AB4)
Condecorado com medalha comemorativa das Forças Armadas em Angola (OS 172/72 – AB4)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

LUIS AMARAL

LUIS M. P. AMARAL



Sarg. MRAD 69-73






  • Informo que entrei para a FAP em 1962 como Furriel Miliciano Rádiomontador, saído nesse ano do Instituto dos Pupilos do Exército, dei uma recruta como instrutor na Base da Ota ainda em 1962 e em 1963 fui ao curso de promoção de Mecânico de Rádio da FAP, em Paço d´Arcos, Escola Militar de Electromecânica.
  • No Verão de 1963, fui mobilizado, para ANGOLA onde fui prestar serviço na Esquadra 93, F-84G, B.A.9, promovido a furriel do quadro permanente, em 1964 fui promovido a 2º Sargento, regresso ao PUTO em 1966 para o AB1, Portela,  Esquadra de Transportes Aéreos DC-6, em 1969 fui mobilizado para o AB 4, Henrique de Carvalho, onde em 1970 fui promovido a 1º Sargento, em 1973 regresso ao AB1,  Portela, TAM, DC-6 e BOEING 707, Em 1977 extinguem-se os TAM, vou aos Estados Unidos e Canadá em Setembro e Outubro, fazer o curso de C-130 e radar doppler do mesmo e regresso ao Montijo, BA-6, onde começámos a operar as primeiras 3 aeronaves Hércules C-130 H da FAP, depois e sem grandes pormenores...Curso para Mór na Ota em 1980 e promoção a Sargento Ajudante, regresso à BA-6,  1982 nomeado para Embaixada, Gabinete do Adido Militar e Aeronáutico em Washington, - USA, promovido a Sargento Chefe em 1984, 1985 regresso a Portugal, colocado na BA-5 Monte Real, aviões A7, 1988 colocado na BA- 6 Montijo, 1989 Texas Instruments, Dallas, USA, curso de radar P3 Orion, 1990 promoção a Mór na BA-6, 1991 passagem à Reserva, ingresso nas Linhas Aéreas Regionais - LAR, curso de Técnico de Manutenção de Aviões, licença civil, aviões Dornier e BAE ATP.
  • 1992, Curso de Sistemas Eléctricos e Electrónicos do BAe 146, na British Aerospace, Hatfield, Inglaterra.
  • 1992, Curso de Rádio Navegação e Piloto Automático na Smiths Industries, Cheltenham, Inglaterra.
  • 1993, Curso de Manutenção Geral, Motores e Sistemas Eléctricos do Airbus 320/321, na Aerformation,  Airbus, Tolouse, França.
  • 1993/1994 Instrutor de cursos TMA, 1994/1995 Curso de Convair, no Canadá e Manutenção em Évora daquele avião de transporte, operação Mauritânia-Portugal e vice versa, transporte Cargo.
  • 1995/96 MADRID, curso Fairchild Metro, companhia Ibertrans, transporte Cargo, Espanha.Licença civil de Epanha.
  • 1996/98 Palma de Maiorca, Canárias Regional e posteriormente Air Europa, Manutenção BAE/ ATP, Linhas Regionais, Espanha.
         Aí está em sumário a minha vida Aeronáutica, até me cansar dos aviões.
         Abraços
         Luís Amaral
       

segunda-feira, 11 de julho de 2011

MIGUEL PIMENTA

MIGUEL CARLOS M. PIMENTA


Furriel PA 74-75








Fui incorporado para o Serviço Militar Obrigatório, a 27 de Abril de 1973, no RI5 nas Caldas da Rainha, onde fiz a recruta. 
Em Julho seguinte fui para a EPI de Tavira, para a especialidade de Atirador de Infantaria. No fim da especialidade fui sorteado para a Polícia Aérea.
Estive em Tancos (BA3) como Cabo Miliciano de Outubro de 1973 a Janeiro de 1974. 
Aguardei embarque para a 2ª Região Aérea, Angola, na BA5, Monte Real. 
Embarquei num dos Boeing 707 da FAP em 2 de Fevereiro de 1974 e assim acabei por chegar ao AB4 em Henrique de Carvalho.
Fui colocado na secção de cargas, pois o 1º Sargento seguiria num dos meses seguintes para o Camaxilo. Posteriormente estive algum tempo colocado na esquadra da PA, sendo depois colocado, pelo então Tenente Dutra, em serviço na cantina, onde trabalhei com o 1º Sargento Brasil (curiosamente eram ambos açorianos da Terceira).
Em Julho estive destacado no AM42, Camaxilo, juntamente com o Alferes Pimenta.
Saí do AB4, julgo que em finais de Junho de 1975, para a BA9, onde aguardei o regresso, que aconteceu a 16 de Julho. 
Passei à disponibilidade.
Tentei retomar o emprego que tinha antes de ser incorporado, na Prometaliz, em Leça do Balio, mas tinham (ilegalmente) extinguido o meu posto de trabalho, pelo que procurei novo emprego, o que só aconteceu em Janeiro de 1976 na Vidropol, Lda, no Castelo da Maia, donde saí em Setembro de 1981.
Entretanto retomara os estudos, que tinha interrompido para prestar o serviço militar, completando o Bacharelato em Engenharia Química no ISEP em 1981. Mais tarde fiz a respectiva licenciatura e mais recentemente o mestrado (também no ISEP).
Em Outubro de 1981 passei a leccionar no Colégio de São Gonçalo em Amarante, até 2009, ano em que me aposentei.
Uma vez mais, manifesto o meu contentamento pela possibilidade de contactar com antigos companheiros num lugar inesquecível e num período da minha vida que, não tendo sido da minha escolha, muito contribuiu para o meu crescimento como Homem. Na altura, a preocupação com a incerteza do futuro, não nos deixava apreciar verdadeiramente os bons momentos de que usufruíamos! Hoje, reconheço que até fui feliz no AB4!
Um abraço,
Miguel Pimenta

segunda-feira, 13 de junho de 2011

CARLOS VARELA

CARLOS ALBERTO VARELA RODRIGUES


1º. Cabo EABT 71-73






Caro amigo Rui
Acabei de ver fotos de alguns nossos colegas do AB4.
Realmente passados 40 anos estamos a ficar velhos e comparando as fotos da tropa com as actuais só conseguia descobrir o Vitor Santos pois somos compadres e visitamo-nos com certa assiduidade , contudo é bom  ver, recordar e comparar.
Inicio do serviço militar voluntário na FAP na segunda incorporação de 1969 na BA da OTA e após recruta tirei o curso de EABT no qual fiquei classificado em 10ºlugar sendo depois colocado na BA6 em Montijo onde estive até ser mobilizado para Angola.
Parti para Luanda em finais de Janeiro de 1971 com destino ao AB3 em Negage onde me mantive durante 9 meses mais ou menos até ser transferido para o AB4 em Henrique de Carvalho, onde voltamos a encontrar-nos e trabalhar juntos tanto na esquadrilha de abastecimento como no armazém secundário no Hangar dando suporte aos nossos colegas de MMA.
Foi uma enorme satisfação trabalharmos juntos apesar do nosso Tenente Lebre fazer-nos a cabeça em agua sem qualquer razão, apenas por um feitio péssimo e de um baixo profissionalismo. Lembro-me perfeitamente que após a chegada do meu substituto e quando estava a fazer o desquite nas outras secções ele se recusava a assinar a parte dele e tive que me dirigir ao comando da Base e falar com o comandante, explicando a situação o qual de imediato entrou em contacto com o Tenente Lebre e ordenou-lhe que assinasse o desquite pois faltavam duas horas para o avião sair do AB4 e eu era o único que não tinha a guia de marcha. Lembras-te que ele queria mandar para cima de mim a responsabilidade dos erros nos stocks dos materiais no Armazém secundário , quando nós fomos para lá não tinha sido feito nenhum inventário e além do mais havia um Sargento que era o chefe responsável e não eu. Apesar de tudo foi uma experiência marcante e recordo tantos colegas mesmo de outras especialidades com saudade.
Jamais esquecerei África, as paisagens maravilhosas, o ambiente de família e companheirismo existente entre alguns de nós e sempre continuei a ser o mesmo Varela com o qual ainda hoje me identifico. 
Deixo aqui um abraço forte para todos aqueles que se recordam de mim, mesmo para aqueles que no Negage, foram injustos e invejosos, mas se Deus não agradou a todos, como podia eu e até aqui a minha vida mais as minhas três filhas e o meu neto, são a coisa mais valiosa e de um amor profundo da minha parte e vice versa.
Um grande abraço para ti amigo Rui, extensivo a  todos os outros companheiros.
CARLOS ALBERTO VARELA RODRIGUES

sábado, 14 de maio de 2011

CARLOS RODRIGUES

CARLOS SANTOS RODRIGUES


1º. Cabo MRAD 68-70






                


- BA2 - 2ª de 1966.
- Escola Militar de Electromecânica, 1966 a 1967.
- BA1 – Sintra 1967/1968
- AB4 – H. de Carvalho de 1968 a 1970
- Passagem à disponibilidade, Junho de 1970

- Nasci a 05 de Janeiro de 1948. Sou natural de Carqueijo, concelho da Mealhada, distrito de Aveiro.
- Cresci e fiz a escola Primária em Mogofores, concelho de Anadia.
- A adolescência em Meleças, concelho de Sintra. 
- Estudei em Coimbra, no Liceu D. João III e em Lisboa, no Liceu Passos Manuel. 
- Em Novembro de 1967, fui mobilizado, para a 2ª Região Aérea de Angola.
- A partida esteve marcada para o princípio de Dezembro de 1967, mas, só aconteceu a 02 de Fevereiro de 1968, num DC6 da FAP (passageiros), numa manhã linda e cheia de sol!... -Até parecia, um autêntico dia de Verão!... 
- Ao raiar do dia 03 de Fevereiro, estávamos por fim a sobrevoar a baía de Luanda, onde, aquele sol de uma cor tão bela, se banhava!... - Imagem que jamais esquecerei!...
- Fui colocado no AB4 - Henrique de Carvalho.
- Depois de um mês de adaptação, o meu primeiro destacamento. - Gago Coutinho. - Outros se seguiram, sem não mais parar, - (Luso, Cazombo, Camaxilo de novo Luso, mais uma vez Gago Coutinho e até ao final da comissão de novo o Luso).
- Pelo meio, 8 dias no Hospital militar do Luso, por ter apanhado o Paludismo. – Estive também em Luanda, em consulta externa, devido a uma intoxicação alimentar, apanhada no Cazombo.
- No Cazombo assisti ao acidente do avião T6, à emboscada numa caçada em que morreram 2 e 6 ficaram feridos e à morte acidental de um colega, com o tiro de uma arma de fogo.

O Unimog do Cazombo depois do ataque
- A comissão terminou a 2 de Fevereiro de 1970. – Só regressei a 17 de Maio desse ano, 
- Empreguei-me na Soda Póvoa, actual Solvay Portugal.
- Vivo em Alverca. - Sou casado, tenho uma filha e dois netos. 
- Foi esta, parte da minha história, por terras do LESTE de ANGOLA. – Aprendi muito, o que contribuiu, para o meu crescimento como HOMEM. 
- Só Lamento ter descoberto o grupo, em Novembro de 2010 e por um mero acaso. 

– UM ABRAÇO PARA TODOS
Carlos Rodrigues. Até breve!...

sábado, 9 de abril de 2011

FRANCISCO RODRIGUES

FRANCISCO MEXIA RODRIGUES

Furriel MMA 68-70






Caros companheiros:
Quando cheguei à Força Aérea disseram-me que passava a ser chamado por Mexia, que era nome de família com tradições castrenses evidenciadas nas campanhas contra os espanhóis do Godoy, e assim ficou.
O meu nome completo é, Francisco Mexia Rodrigues, incorporação de 1960, curso MMA de 1961.
Guiné em 1962/63 1º.Cabo, AB4 em 1968/70 Fur. e Nacala em 1974/75 Psar.
A partir daqui as guerras foram outras: Alemanha, Itália, Espanha e EUA. Muito mais aprazível, como deveis calcular. Foi sempre a «somar» até Major, tendo passado à reserva em 01FEV95.
Um abraço
Mexia.

sábado, 12 de março de 2011

MÁRIO JOÃO

MÁRIO DAS NEVES JOÃO


Furriel OPCART  70-72




Residente em Anadia, fui incorporado como voluntário para a Força Aérea. Pertenci à 1ª. Mobilização de 1968, na Ota, onde tirei o curso de OCART.
Desta Unidade, deslocaram-me para o GDACI.
Em Março de 1970 fui mobilizado para Angola, mais propriamente, para H. de Carvalho (AB 4), onde permaneci até Abril de 1972.
Desmobilizado, voltei ao GDACI, passando pela Portela (AB 1) e finalizando o serviço militar na Base de S. Jacinto (BA 7), em finais de 1973, após o cumprimento do meu voluntariado de seis anos.
Depois de cumprido o serviço militar, empreguei-me numa Firma de fabrico de motorizadas durante vinte e muitos anos.
Presentemente, ainda no activo, encontro-me ligado a uma Empresa de Construção, associada à família.
Estou grato por pertencer ao grupo dos “ex-AB4”.
Reencontrado pelo companheiro “Quim” e contactado pelo Vítor Oliveira  -- aqui estou presente, e no seio dos velhos   amigos FAP.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

MÁRIO SARGAÇO

MÁRIO ALBERTO G. G. SARGAÇO


1º. Cabo MELEC 1970



Nasci na Granja do Ulmeiro, em Soure, mas criado e feito homem na Figueira da Foz.
Foi desta cidade que parti para a Ota, incorporado na 2ª. mobilização de 1967. 
Após a recruta, fui transferido para Paço de Arcos, colocado no Regimento de Caçadores Pára-quedistas de Tancos (RCP), e mobilizado para a B.A. 9 – Luanda, em 3 de Maio de 1969.
Por desentendimento com um capitão, fui destacado para o Camaxilo em 1970, onde me mantive dois meses nessas longínquas paragens, em Junho e Julho. Tive duas passagens por H. de Carvalho que coincidiram com a minha deslocação para o Camaxilo.
Retornei a Luanda em Agosto de 1970 e fui desmobilizado em 2 de Janeiro de 1971.
Regressando à Figueira da Foz, minha cidade, deparei-me com uma oferta de trabalho na Marinha Grande, onde já residia um irmão meu.
Refiz a vida de civil nesta cidade, casei-me, e permaneci neste local até à presente data trabalhando numa indústria ligada à fabricação de vidro. Neste momento, encontro-me reformado.
Fui “descoberto” pelo colega “Quim”, e contactado pelo Vítor Oliveira, residente na capital do vidro.
Sinto-me extremamente feliz com a possibilidade de me ver no seio da “família especialista”, novamente,  e muito desejoso de estar presente no próximo convívio dos “Especialistas” ou, “Chamuanzas”.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

FLORIANO SILVA

FLORIANO HENRIQUES SILVA


1º. Cabo SG 67-69







Pertencer ao AB4, faz de nós todos  irmãos, num sentido espiritual (nao religioso) em que dispendemos uma fase muito importante da nossa formacão como adultos, e que nos fez diferentes da maioria dos outros jovens.  
Ás vezes, as fotos que nos vemos sobre o AB4 e os AMS, dizem mais que as palavras, estive em todos eles, porque ia levar os envelopes com os salários. 
Vivemos tempos diferentes, quando cheguei ao AB4, no dia 25 de Abril de 1967, existia uma camarata para os cabos Especialistas, outra cabos Servico Geral, outra Bombeiros, outra Soldados; no meio destas quatro, havia o lavadouro, e do outro lado a PA, que eram a maioria. Todas classes viviam  sem muitas diferenças, porque eramos poucos, porque praticamente nao havia guerra no Leste. 
Mas passado pouco tempo tivemos socorrer os refugiados do Congo, na maioria Belgas, muitos deles eram mercenários, e logo de seguida tudo comecou a mudar, começaram os ataques ás Missões,  a Teixeira de Sousa e outras partes indefesas. 
Aos poucos o AB4 cresceu, e quando deixei o mesmo, em 24 de Abril de 1969, (coincidência de datas) o AB4 tinha perto de mil militares (AMS inclusivé).
Quando eu cheguei,  na Tesouraria,  secção de vencimentos e  Conselho Administrativo, o pessoal era composto por dois Capitães, dois Furrieis, um segundo Sargento e um Cabo Amanuense, (que era eu) que teve que reorganizar a secção de vencimentos, que mais tarde cresceu para 14 pessoas. Nessa altura, porque fazia os vencimentos de todos (os primeiros 6 ou 7 meses), conhecia todos os  Mecânicos, Eletricistas, M.Terreste, Abastecimentos, Pilotos, e maioria deles  pelo nome, ou alcunha. Acho que perdi com a minha ausência do país, actualmente encontro-me a viver nos EUA, mas fico contente de saber que muitos de vocês mantêm esse espirito vivo. 
Penso também naqueles que desapareceram (em especial aqueles com quem convivi e passamos bons tempos), mas a vida é assim mesmo, ao lembrarmos esses momentos é a nossa forma de os homenagearmos. 
Amigos, já agora, um reparo, a foto do macaco foi tirada nos paióis,  o macaco estava quase sempre com os Bombeiros, porque tinha muitos donos, e depois foi de castigo para os paióis por distúrbios causados dentro do carro do comandante João da Cruz Novo (o macaco foi morto por um Cabo de nome Lourenço). O segundo comandante era o Pinho Freire, bem agora tenho que ir, amanha e dia de trabalho, continuaremos brevemente, um abraço do tamanho daquilo que nos une, que é muito grande, pois dura uma vida inteira e contribuem para manter esta chama viva.



RAFAEL FREIXO

RAFAEL DOMINGOS S.A. FREIXO

1º. Cabo EABT 71-73





Fui incorporado em Maio/69 na Ota, 2ª 1969...Após conclusão da recruta fui para EABT.
Terminado o curso, fui colocado em Montejunto (GDACI).
Em 1971 rumei a Angola para o AB4.
Após 2 meses fui para o Luso, não me recordo do nº da base, pois era um destacamento do AB4.
Em Abril de 1973 regressei para o DGMFA, tendo passado à disponibilidade em 3 de DEZ 74.



CARLOS MAGRO

CARLOS ALBERTO V. LAMARES MAGRO

1º. Cabo MMA 71-72








1º.) Eniciei a recruta na Ota, em Janeiro de 1969 e acabei o curso de mecânico material aéreo em finais desse ano.
2º) Em 1970 fui colocado na Base Aérea nº.3 (Tancos) e em Fevereiro fui tirar formação de mecânica de Alouette III, nas OGMA.
3º) Em Dezembro de 1970 fui colocado na Base Aérea nº.9 (Luanda), em Fevereiro de 1971 fui para Henrique Carvalho com os PV2, tive sete meses na AB4. Depois fui os restantes para Luso para Alouettes III (Saltimbancos).
4º)Em 28 de Dezembro de 1972 acabei a minha comissão no Ultramar e regressei ao ao Continente. Fui colocado novamente na Base Aérea nº.3 (Tancos)
5º) Pedi transferência para S.Jacinto (Base Aérea nº.7) em Junho ou Julho de 1973 e em outubro finalizei o meu percurso na Força Aérea.

Com um Abraço me despeço
Carlos Magro

EDUARDO MATA

EDUARDO JOÃO GRAÇA MATA

1º. Cabo MRAD 73-74








Ingressei na 3ª. de 71 na Ota, em 1972 Fiz o curso de Mecânico de Rádio em Paço D’Arcos.
1973 de Janeiro a Março na BA4 Açores.
Março de 1974 Montijo à espera de embarque.
Março de 1973 Cheguei a Luanda e durante 15 dias colocado no BCP 21 em Belas.
Abril de 1973 chego a Henrique de Carvalho.
Março de 1974 regresso para o curso de furriéis.
Setembro de 1974, sou colocado na BA5 Monte Real.
Maio de 1975 colocado na Esquadra 12 Paços de Ferreira.
Em 1977, já como 2º Sargento fui frequentar o 1º curso de Formação de Sargentos do Q.P.
Em 1979 peço para passar à disponibilidade em 31 de Julho
Não terminei o curso de Formação por opção, que acabou na data em que passei À disponibilidade
Eduardo João Graça da Mata. Sou natural da Póvoa de Varzim.

Ingressei na FAP, na grande Escola da OTA, na 3ª de 71 na 2ª Esquadrilha, 2ª Secção. 
Depois da recruta, na famosa OTA, fui colocado em Paço D’Arcos, para tirar a especialidade de M/Rádio. Passei momentos agradáveis, pois a praia estava perto, ao salto de um muro. 
Em Janeiro de 73, fui para os Açores e foi aí que vi os aviões da Força Aérea norte americana. A curiosidade era enorme, que passava noites acordado a ver a chegada e descolagem dos mesmos. Nessa época os americanos estavam no teatro de guerra do Vietname. Era agradável e surpreendente, ver as aterragens e descolagens dos famosos C5 – Galaxy, mas também ganhei a consciência, daquilo que é ser militar numa guerra. Vi camaradas americanos, no regresso a casa, que saiam desses aviões de transporte de pessoal, como sendo autênticos farrapos, completamente desorientados e desintegrados da sociedade. Os olhos esbugalhados e pedindo licença a uma perna, para mexer a outra. Traumas da guerra.

Em Março de 1973, a Ordem de Serviço dizia que tinha sido mobilizado para a 2ª Região Aérea. Destino Luanda, em Angola, cidade que já conhecia. Não preciso datas, mas no dia em que cheguei, o autocarro Mercedes da FAP, transportou alguns de nós para Belas, onde estava o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas B.C.P. nº21. Foram quinze dias de formaturas para tudo. Era pior que na Ota durante a recruta.

Numa bela manhã regressei a Luanda e aí estava o Nor na placa à espera dos maçaricos, cujo o destino era Henrique de Carvalho.
Lembro-me que cheguei por volta do meio-dia e que o pessoal estava ao fundo da escada e perguntava qual a especialidade. Assim que disse a minha, ouço um grito “Smith” chegou o teu substituto.
O camarada, já estava a lerpar 6 meses. Escusado será dizer que o caminho, foi o do Clube de Especialistas e logo uma Nocal, depois outra e outra e ainda outra.
Apresentei-me na secção, ao chefe que na época era o Cap. Fausto Cruz.
Depois das apresentações, conheci Nestor Mesquita, o Valverde, o Dias, o Brandão e mais pessoal dos quais, a memória já não me recorda. Equipamentos para trás e para a frente, os PAY de VHF, os SSB-75L, que eram utilizados só para telegrafia, os RACAL TR-15A e o TR-15L, e os Hamarlund SP-600.
Ao cabo de duas semanas este rapaz, foi fazer o seu 1º destacamento ao Camaxilo.
A viagem foi feita no famoso Dakota. Quando lá cheguei, fiquei um tanto apreensivo, até porque quem passou por aquele Aeródromo de Manobras, não gostava de lá voltar. 
A rendição foi feita, o Dakota foi embora e agora estávamos ali. Não havia um DO-27, um Heli, nem mesmo um T-6. A paisagem era de mata em redor, trincheira com abrigo, os buracos das balas ainda estavam bem presentes nas paredes das guaritas e nos ferros da vedação. Os 5 Km de picada que nos levava ao destacamento do Exercito e ao centro (quatro casas, uma era o posto administrativo, duas eram as famosas cantinas e a outra, não sei a quem pertencia) era em areia.
Éramos 27 rapazes ao todo, 5 Especialistas, 20 militares da Polícia Aérea, o 1º Sargento e o Alferes Gama, que era ou é de Amarante. Era esta a equipa que tinha de estar 30 dias no meio do nada. Existia uma viatura Unimog Mercedes, que não tinha bateria, pegava de empurrão e só tinha um farol. Todos os dias de manhã, a viatura saia para ir ao exército buscar o casqueiro que comíamos às refeições. O Alferes Gama, persona non grata, fazia do destacamento a sua quinta. Este senhor, tornou-se bem conhecido, porque vendia o reabastecimento para as cantinas, principalmente a carne, cerveja e produtos de higiene. Depois convidava os civis das cantinas, para virem comer para o refeitório. A situação tornou-se insustentável e os Especialistas, enviaram para Henrique de Carvalho pedidos de substituição. Tenho a impressão que o Operador de Comunicações, era o Machado. Isso obrigou a que no dia seguinte logo pela manhã, aterrasse um Dakota com o médico Dr. Albuquerque e o Comandante do AB-4, que nos observou e ambos tiveram uma reunião com o dito cujo sanguinolento Gama
Numa bela tarde, logo após o almoço, nós os 5 especialistas saímos para uma caçada no velhinho unimog. Seguimos a picada da fronteira do Congo. A certa altura, saímos da picada e entramos na chana. O Enfº Virgílio Oliveira dizia, por aqui, por ali, eu já estive neste destacamento algumas vezes e sei o caminho. O certo é que já estávamos mesmo na fronteira com o Congo pois o marco geodésico assim o dizia e o carrito, ficou mesmo aí. Nem com as 4 saiu de lá. Ficou atascado até aos eixos. Bom, há que regressar a pé e pelo meio do mato, até encontrarmos a picada. Demos com a picada e logo a seguir com uma sanzala. Aí pedimos água e o Soba, mandou trazer cadeiras para o pessoal se sentar. A água chegou e servida com requinte, foi servida em copo de vidro com um pires. Agradecemos, mas começamos a perguntar se havia uma bicicleta para um de nós ir pedir ajuda ao Camaxilo.
Depois de uma troca de gestos e algumas palavras no dialecto, lá nos emprestou a bicicleta. Tiramos à sorte para ver quem ia buscar uma Berliet ao exército e logo me calhou essa tarefa.
A picada como já referi, era de areia e pedalar na areia, não dá grande jeito. Sobre o guiador levava a G-3 e Km sim, Km sim, dava um tombo. A corrente da bicla estava larga e ao pedalar saia com facilidade. A noite aproximava-se e eu ainda longe, pois a fronteira ficava a mais ou menos 40 Km da unidade.
De repente e ao sair de uma curva, deparo com um negro com um plástico verde, tipo capa e com uma arma na mão. Não tive tempo para ver mais nada, a adrenalina subiu ao máximo e o coração bateu até quase não poder respirar. De repente o negro deu uma corrida e embrenhou-se na mata. Passei pelo local a pedalar o mais que podia e logo mais à frente uns 2 Km, ouço um falar num dialecto africano, dentro da mata junto à berma. Voltei a pedalar com quanta força tinha e mais um tombo e de seguida outro. Quando cheguei já de noite à ponte de madeira que só tinha duas tábuas, fiquei mais tranquilo. Passei a ponte, eu de um lado e a bicla na outra tábua e subi a pé, porque não dava para pedalar a areia era muita.
Já era noite, quando cheguei ao entroncamento das picadas que davam para o exército, vejo os faróis da berliet que ia a sair com o pessoal da pacaça, para tomar café no aeródromo. Já tinham jantado. Prontificaram-se de imediato voltando para o aquartelamento e foi quando o CMD do exército disse que só saiam se a arma fosse com bala na câmara e granadas prontas, que a zona, era de risco. Saíram duas berliet com pessoal.
Bom, o certo é que se fez o regresso com o unimog e sem problemas de maior. Na unidade, o Virgílio Oliveira, teve de me aturar, tentou acalmar-me e já não me recordo, mas tenho a impressão que foi com os famosos comprimidos LM, que me fizeram efeito, quanto mais não fosse psicologicamente.
As noites eram bastante tensas. O gerador que fornecia a electricidade, era desligado e a unidade ficava às escuras.
A partir dessa peripécia, nunca mais dormi durante o resto das noites. Fazia plantão juntamente com os camaradas da Policia Aérea na torre que existia junto do edifício das camaratas. O medo existia em todos nós, principalmente durante a noite. Era-mos heróis, mas foram os heróis que tombaram. Ainda hoje, me recordo e vejo toda acena, como se fosse um filme.
Cumpridos os 30 dias, regressamos a Henrique de Carvalho e quando chegamos, tinha-mos uma recepção de camaradas que souberam do caso da fomita que por lá passamos e todos queriam ver os esfomeados.
Durante um mês, o AB-4 foi uma maravilha, saídas à noite para a cidade, uns servicitos na central de emissores que ficava perto do Clube e por falar nisto, recordo-me que uma bela noite e pelas 2 horas da madrugada, depois de umas cervejitas no Clube, o Pierre, o Oliveira e eu, ia-mos descansados a tropeçar, de fralda de fora e calças arregaçadas, quando eles que se dirigiam para as camaratas, foram apanhados pelo Comandante Rebelo, que lhes ofereceu boleia e os deixou na casa da rata. Porquê? Estava-mos todos de serviço, só que como eu ia para a central de emissores, não fui apanhado. Que sortinha.
Cazombo foi o meu 2º destacamento e toda a gente dizia que naquele aeródromo, as coisas eram diferentes. Havia sempre movimento de aviões e helis. Era uma zona de mais operações militares e por isso o movimento de tropas era mais acentuado. Estavam estacionados, uma companhia do exército, um pelotão de apoio directo. Mais pessoal civil e com ambiente nocturno. Afinal havia um bar, onde a rapaziada ia afogar as suas mágoas pois a filha do dono, dava bola para a rapaziada. Havia o bairro da JAEA, Junta Autónoma das Estradas de Angola, o Manel das pedras e um fulaninho muito pascaço, que mal via um avião comercial lá nas alturas, montava na mota e ia ao aeródromo perguntar “” Aquele avião é nosso? “”, Só podia ser o pide que estava destacado no posto. O Cazombo, até tinha um miradouro para o pessoal desfrutar da paisagem do rio Zambeze. A sanzala era do outro lado da pista.
Impressionou-me de facto, ver todos os dias gente de idade e crianças junto ao arame farpado, com as latas de fruta vazias, à espera dos restos da comida que sobrava das nossas refeições. Ainda hoje, vivo com essas imagens e há um episódio a este respeito que não vos conto.
Quase todas as tardes e por volta das 15:00 horas, o céu ficava escuro e havia uma descarga de agua e trovoada de cerca de meia hora. Era deslumbrante ver aquele espectáculo. Tudo passava e logo vinha o calor. O por do sol era maravilhoso, com as tonalidades do vermelho e do dourado a esconder-se por detrás das árvores. Só em África se consegue ver semelhante beleza.
Quando havia a rendição do piloto que estava destacado, toda a malta perguntava é o Teixeira, que tinha o nome de guerra “TEX” que vem a voar para cá? Era obvio que a presença do Corredeira, não era bem querida. Próximo da data da rendição, caí doente com paludismo e fui parar à enfermaria da companhia do exército que fazia fronteira com o AM43. Fui colocado no isolamento, mas sentia que as coisas não estavam bem. Temperaturas de 40 graus e delirava. Lembro-me de me terem aplicado soro, injecções de Penicilina, doses cavalares de 1.300.000 unidades e uns comprimidos, durante alguns dias.
Recordo-me perfeitamente do nome do Médico, Santos Clara e com a patente de Tenente.
A rendição foi feita e eu fiquei mais uns dias no Cazombo de férias. Estava a a apontar uma ida pelo Luso, para conhecer a cidade e a Base, quando aparece um Dakota, que para fazer o reabastecimento e lá fui nele para Henrique de Carvalho. A minha viagem ao Luso, vi-a por um canudo.
Passados 2 ou 3 meses, vou novamente para o Cazombo e desta vez, ia muito mais à vontade. Algumas caras eram conhecidas e o local familiar. No entanto uma semana depois, estava a chegar um heli com uma evacuação, a ambulância estava no AM e perto do Taxiway. Umas das espias da torre de comunicações, era presa ali por perto e o Furr. Enfº que conduzia a viatura, ao fazer manobras, arrancou as mesmas e a torre veio ao chão, ficando toda empenada e em alguns lanços destruída.
Lá tive de entrar em acção e socorrer-me do que havia, pelo menos prender as antenas dipolo a um ponto qualquer, para que houvesse comunicações com “Carvalho” A orientação das mesmas, não era a melhor, mas o OPC, lá conseguiu receber e enviar as MSGs. Mesmo com sinais fracos, em CW, sempre se consegue comunicar, os ti-ra-ris, sempre são bastante mais perceptíveis que a fonia.
Foi toda a noite a trabalhar com a ajuda do pessoal do exército do Pelotão de Apoio Directo. O seu CMD Tenente, cujo nome não me recordo, colocou todos os meios à minha disposição, enviando para o Aeródromo o carro oficina.
Pela manhã, a torre estava pronta e faltava coloca-la na vertical. Era uma torre frágil e estreita. Assim que a torre começa a ser içada, dobra pelo meio e foi preciso nova intervenção. A pressa era muita, pois o Cap. Pilav Oliveira ia chegar pela manhã no Dakota e era uma pessoa de poucas falas e com certeza que não gostaria de chegar sem ter perguntado pelo rádio, como estava o WX, para os menos familiarizados, quer dizer meteorologia.
Depois da nova reparação, a famigerada torre sempre se ergue sem problemas e este rapaz, teve de subir à mesma, toda a abanar, sem cinto de segurança porque não havia e prender as respectivas antenas.
Neste destacamento, as peripécias não terminaram por aqui, pois quando no termino da estadia no AM, tinha de trazer um equipamento Emissor/Receptor, que tinha avariado e não podendo ser intervencionado no mesmo e somente em Henrique de Carvalho.
O dia chegou, a manhã estava bonita e o dia óptimo para voar.
Chega a nossa barcarola, a rendição foi feita e já estávamos dentro do avião Dakota, claro, o mecânico de bordo, manda por os motores em marcha, depois de um deles se ter recusado por diversas vezes a funcionar. Começamos a rolar para a pista e eis que o pessoal que tinha ficado, começa a acenar e a gritar. O motor em causa estava a arder.
Foi dada ordem de evacuação e toda a gente saiu a correr muito. Com os extintores da unidade, lá se debelou o fogo e já não saímos dali.
Mais dois dias de espera até que chega uma equipa de manutenção. Aproveitamos o avião para regressar finalmente.
À chegada À placa do AB4, tinha o Cap. Fausto Cruz À minha espera e À espera do transceptor.
Então Sr. Eduardo, trouxe o rádio? Não Sr. Capitão, o rádio ficou e está ainda hoje dentro do avião que começou a arder.
É verdade. Só quando estávamos em voo, é que me apercebi que o equipamento tinha ficado. Ainda pedi ao OPC da tripulação, para contactar o Cazombo, mas um dos nossos grandes problemas eram as comunicações serem muito difíceis entre os pontos e com as aeronaves. Equipamentos bem usados e com problemas de estabilidade, desviando muitas das vezes da frequência devido à temperatura.
A promessa, foi de imediato “O Sr. vai levar uma porrada”. O nosso Cabo Especialista Eduardo Mata, começou a argumentar e lá conseguiu desempecilhar-se da situação, ficando tudo bem.
Em 11 Março de 1974, regresso à metrópole para frequentar o curso de furriéis. Estive de licença durante uns dias e logo de seguida, tivemos a 16 de Março a tentativa de golpe militar contra o regime. Só o Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha marcha sobre Lisboa. O golpe falhou. São presos cerca de 200 militares, alguns deles decisivamente envolvidos na preparação da "Revolução dos Cravos".
O 25 de Abril logo a seguir e as férias continuavam. O curso que era para começar em Março, só começou em Junho e em Setembro/Outubro de 1974, sou colocado na Base Aérea nº 5 em Monte Real.
A promoção chegou e só passados uns dias e por imposição, coloquei as divisas dos 3 bicos para baixo.
Monte Real, foi a Base que mais saudades me deixou. O bem-estar e a camaradagem existentes, eram os sentimentos mais presentes em toda a rapaziada, pois para além de estarmos numa Base que mexia, a maior parte tinha regressado do ex-ultramar. Ali convivi com o meu grande amigo Fernando Duarte, MMA e natural de Coimbra, o qual o conhecia desde Moçambique da B.A. 10
Em 10 de Março de 1975, vou a Lisboa, para tratar de assuntos relacionados com a vida militar. Estou em Paço D’Arcos e tinha acabado de sair da messe, quando olho para o céu e vejo dois T-6 armados com os ninhos de roquetes. Olho o portão e estava fechado. Imaginei de imediato que estávamos de prevenção.
Qual o meu espanto, sinto uma mão a agarrar-me o braço e ouço “O Sr. Furriel está detido” Era o Maj. Figueiredo do exército que questionou a minha presença naquela unidade. Lá lhe expliquei o que estava a fazer, que tinha ido buscar o diploma do curso e que dali, pretendia seguir para a Direcção do Serviço do Pessoal na rua António Augusto de Aguiar, perpendicular à Av. Fontes Pereira de Melo.
Depois de um grande interrogatório, o Maj. telefonou para a Base de Monte Real e o CMD, na resposta, disse-lhe que desconhecia a minha presença na Escola Militar de Electromecânica.
Nessa ocasião comecei a ficar preocupado, porque o Sr., não acreditava em mim. Então perguntei se ele podia dispensar um subordinado por um dia sem dar conhecimento ao CMD, ao que ele me respondeu que sim. De imediato lhe disse, pois foi o que se passou comigo. O meu chefe directo, Cap. Pinto autorizou-me e eis a razão porque estou aqui. Voltou a ligar confirmou a situação e fui o único para quem os portões se abriram para sair.
Chego a Lisboa e sem saber o que realmente se passava. Entro na D.S.P. e o alvoroço era enorme. Só via gente à civil a correr de gabinete em gabinete, até que alguém me perguntou o que ali estava a fazer e que de imediato desaparecesse e tirasse a farda.
O CMD na época era o TCor. Morais e Silva. Homem extremamente humano e de grande carácter, que sofreu algumas situações nada agradáveis, tais como uma comissão de militares da Base ter entrado pelo gabinete com G-3 e fazendo inquirições, mais parecendo um tribunal popular. Viviam-se tempos conturbados. Outra situação, foi a do Gen. Lemos Ferreira que se deslocou à Base e na sala de briefing, sofreu a mesma pressão, tendo chegado a ficar com os olhos molhados.
Nesta fase a extinta Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), que foi um grupo formado por exilados em Paris e que foi organizado por Emídio Guerreiro que depois foi um dos fundadores do PPD/PSD. Estavam sempre presentes naquela unidade, que era a mais operacional.
Mais tarde, em 1975, sou colocado na Estação de radar, Esquadra 12 em Paços de Ferreira, onde encontrei muitos camaradas que estiveram no Negage.
Outra grande confusão, foi o 25 de Novembro. Entramos em prevenção, chegando a montar metralhadoras no meio dos pedregulhos existentes no cimo da serra. O Comandante da época, era o Ten. Cor. Braga, uma excelente pessoa, homem de grande carácter, humano, amigo, sempre defensor do seu pessoal e que nos acompanhou durante mais uma façanha de alguns. Aliás, toda a guarnição, estava bastante unida e pronta a defender a unidade militar.
Abriu o 1º Curso de Formação de Sargentos em 1977 e lá fui outra vez até à “universidade” de Paço D’Arcos, a tão famosa Escola Militar de Electromecânica.
Era um curso com uma duração de 2 anos, mas já com alterações substanciais no que se refere à carga horária. Filosofia, Psicologia, Literatura, Inglês, Inglês técnico, Português, Organização militar, Sistemas de aeronaves e tantas outras que o tempo me fez apagar da memória. Para além das disciplinas da área, como Electrónica linear, Electrónica digital, Servomecanismos, Maquinas eléctricas, Electricidade. A mais interessante, era a ordem unida, que de ordem e unida, não tinha nada. Essa disciplina, era dada por um 2º Sarg. Pára-quedista, mas maçarico e que nunca tinha cruzado o Atlântico, nem que fosse até às Berlengas. A cena era que todo a turma do curso, tinham a tarimba do ex ultramar e não estavam para receber ordens do rapazinho com meia dúzia de dias de tropa.
Éramos cerca de 25 alunos e grande parte deles casados e já com filhos. O resultado foi que o Pára, pediu a transferência para Tancos, para junto da família das boinas verdes.
Concluí o 1º Ano com bom aproveitamento e a duas semanas do final do curso, já no 2º ano, pedi a passagem à disponibilidade, tendo regressado à Esq. 12, onde fiz o desquite.
Meus caros amigos, tal como dizia o saudoso Raul Solnado, Esta foi a historia da minha vida como militar.
Dessa vida, sobrou um hobby, que é o radioamadorismo.
Quero deixar-vos um grande Abraço, em especial ao Rui Neves, grande impulsionador deste Blog.