segunda-feira, 13 de junho de 2011

CARLOS VARELA

CARLOS ALBERTO VARELA RODRIGUES


1º. Cabo EABT 71-73






Caro amigo Rui
Acabei de ver fotos de alguns nossos colegas do AB4.
Realmente passados 40 anos estamos a ficar velhos e comparando as fotos da tropa com as actuais só conseguia descobrir o Vitor Santos pois somos compadres e visitamo-nos com certa assiduidade , contudo é bom  ver, recordar e comparar.
Inicio do serviço militar voluntário na FAP na segunda incorporação de 1969 na BA da OTA e após recruta tirei o curso de EABT no qual fiquei classificado em 10ºlugar sendo depois colocado na BA6 em Montijo onde estive até ser mobilizado para Angola.
Parti para Luanda em finais de Janeiro de 1971 com destino ao AB3 em Negage onde me mantive durante 9 meses mais ou menos até ser transferido para o AB4 em Henrique de Carvalho, onde voltamos a encontrar-nos e trabalhar juntos tanto na esquadrilha de abastecimento como no armazém secundário no Hangar dando suporte aos nossos colegas de MMA.
Foi uma enorme satisfação trabalharmos juntos apesar do nosso Tenente Lebre fazer-nos a cabeça em agua sem qualquer razão, apenas por um feitio péssimo e de um baixo profissionalismo. Lembro-me perfeitamente que após a chegada do meu substituto e quando estava a fazer o desquite nas outras secções ele se recusava a assinar a parte dele e tive que me dirigir ao comando da Base e falar com o comandante, explicando a situação o qual de imediato entrou em contacto com o Tenente Lebre e ordenou-lhe que assinasse o desquite pois faltavam duas horas para o avião sair do AB4 e eu era o único que não tinha a guia de marcha. Lembras-te que ele queria mandar para cima de mim a responsabilidade dos erros nos stocks dos materiais no Armazém secundário , quando nós fomos para lá não tinha sido feito nenhum inventário e além do mais havia um Sargento que era o chefe responsável e não eu. Apesar de tudo foi uma experiência marcante e recordo tantos colegas mesmo de outras especialidades com saudade.
Jamais esquecerei África, as paisagens maravilhosas, o ambiente de família e companheirismo existente entre alguns de nós e sempre continuei a ser o mesmo Varela com o qual ainda hoje me identifico. 
Deixo aqui um abraço forte para todos aqueles que se recordam de mim, mesmo para aqueles que no Negage, foram injustos e invejosos, mas se Deus não agradou a todos, como podia eu e até aqui a minha vida mais as minhas três filhas e o meu neto, são a coisa mais valiosa e de um amor profundo da minha parte e vice versa.
Um grande abraço para ti amigo Rui, extensivo a  todos os outros companheiros.
CARLOS ALBERTO VARELA RODRIGUES

sábado, 14 de maio de 2011

CARLOS RODRIGUES

CARLOS SANTOS RODRIGUES


1º. Cabo MRAD 68-70






                


- BA2 - 2ª de 1966.
- Escola Militar de Electromecânica, 1966 a 1967.
- BA1 – Sintra 1967/1968
- AB4 – H. de Carvalho de 1968 a 1970
- Passagem à disponibilidade, Junho de 1970

- Nasci a 05 de Janeiro de 1948. Sou natural de Carqueijo, concelho da Mealhada, distrito de Aveiro.
- Cresci e fiz a escola Primária em Mogofores, concelho de Anadia.
- A adolescência em Meleças, concelho de Sintra. 
- Estudei em Coimbra, no Liceu D. João III e em Lisboa, no Liceu Passos Manuel. 
- Em Novembro de 1967, fui mobilizado, para a 2ª Região Aérea de Angola.
- A partida esteve marcada para o princípio de Dezembro de 1967, mas, só aconteceu a 02 de Fevereiro de 1968, num DC6 da FAP (passageiros), numa manhã linda e cheia de sol!... -Até parecia, um autêntico dia de Verão!... 
- Ao raiar do dia 03 de Fevereiro, estávamos por fim a sobrevoar a baía de Luanda, onde, aquele sol de uma cor tão bela, se banhava!... - Imagem que jamais esquecerei!...
- Fui colocado no AB4 - Henrique de Carvalho.
- Depois de um mês de adaptação, o meu primeiro destacamento. - Gago Coutinho. - Outros se seguiram, sem não mais parar, - (Luso, Cazombo, Camaxilo de novo Luso, mais uma vez Gago Coutinho e até ao final da comissão de novo o Luso).
- Pelo meio, 8 dias no Hospital militar do Luso, por ter apanhado o Paludismo. – Estive também em Luanda, em consulta externa, devido a uma intoxicação alimentar, apanhada no Cazombo.
- No Cazombo assisti ao acidente do avião T6, à emboscada numa caçada em que morreram 2 e 6 ficaram feridos e à morte acidental de um colega, com o tiro de uma arma de fogo.

O Unimog do Cazombo depois do ataque
- A comissão terminou a 2 de Fevereiro de 1970. – Só regressei a 17 de Maio desse ano, 
- Empreguei-me na Soda Póvoa, actual Solvay Portugal.
- Vivo em Alverca. - Sou casado, tenho uma filha e dois netos. 
- Foi esta, parte da minha história, por terras do LESTE de ANGOLA. – Aprendi muito, o que contribuiu, para o meu crescimento como HOMEM. 
- Só Lamento ter descoberto o grupo, em Novembro de 2010 e por um mero acaso. 

– UM ABRAÇO PARA TODOS
Carlos Rodrigues. Até breve!...

sábado, 9 de abril de 2011

FRANCISCO RODRIGUES

FRANCISCO MEXIA RODRIGUES

Furriel MMA 68-70






Caros companheiros:
Quando cheguei à Força Aérea disseram-me que passava a ser chamado por Mexia, que era nome de família com tradições castrenses evidenciadas nas campanhas contra os espanhóis do Godoy, e assim ficou.
O meu nome completo é, Francisco Mexia Rodrigues, incorporação de 1960, curso MMA de 1961.
Guiné em 1962/63 1º.Cabo, AB4 em 1968/70 Fur. e Nacala em 1974/75 Psar.
A partir daqui as guerras foram outras: Alemanha, Itália, Espanha e EUA. Muito mais aprazível, como deveis calcular. Foi sempre a «somar» até Major, tendo passado à reserva em 01FEV95.
Um abraço
Mexia.

sábado, 12 de março de 2011

MÁRIO JOÃO

MÁRIO DAS NEVES JOÃO


Furriel OPCART  70-72




Residente em Anadia, fui incorporado como voluntário para a Força Aérea. Pertenci à 1ª. Mobilização de 1968, na Ota, onde tirei o curso de OCART.
Desta Unidade, deslocaram-me para o GDACI.
Em Março de 1970 fui mobilizado para Angola, mais propriamente, para H. de Carvalho (AB 4), onde permaneci até Abril de 1972.
Desmobilizado, voltei ao GDACI, passando pela Portela (AB 1) e finalizando o serviço militar na Base de S. Jacinto (BA 7), em finais de 1973, após o cumprimento do meu voluntariado de seis anos.
Depois de cumprido o serviço militar, empreguei-me numa Firma de fabrico de motorizadas durante vinte e muitos anos.
Presentemente, ainda no activo, encontro-me ligado a uma Empresa de Construção, associada à família.
Estou grato por pertencer ao grupo dos “ex-AB4”.
Reencontrado pelo companheiro “Quim” e contactado pelo Vítor Oliveira  -- aqui estou presente, e no seio dos velhos   amigos FAP.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

MÁRIO SARGAÇO

MÁRIO ALBERTO G. G. SARGAÇO


1º. Cabo MELEC 1970



Nasci na Granja do Ulmeiro, em Soure, mas criado e feito homem na Figueira da Foz.
Foi desta cidade que parti para a Ota, incorporado na 2ª. mobilização de 1967. 
Após a recruta, fui transferido para Paço de Arcos, colocado no Regimento de Caçadores Pára-quedistas de Tancos (RCP), e mobilizado para a B.A. 9 – Luanda, em 3 de Maio de 1969.
Por desentendimento com um capitão, fui destacado para o Camaxilo em 1970, onde me mantive dois meses nessas longínquas paragens, em Junho e Julho. Tive duas passagens por H. de Carvalho que coincidiram com a minha deslocação para o Camaxilo.
Retornei a Luanda em Agosto de 1970 e fui desmobilizado em 2 de Janeiro de 1971.
Regressando à Figueira da Foz, minha cidade, deparei-me com uma oferta de trabalho na Marinha Grande, onde já residia um irmão meu.
Refiz a vida de civil nesta cidade, casei-me, e permaneci neste local até à presente data trabalhando numa indústria ligada à fabricação de vidro. Neste momento, encontro-me reformado.
Fui “descoberto” pelo colega “Quim”, e contactado pelo Vítor Oliveira, residente na capital do vidro.
Sinto-me extremamente feliz com a possibilidade de me ver no seio da “família especialista”, novamente,  e muito desejoso de estar presente no próximo convívio dos “Especialistas” ou, “Chamuanzas”.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

FLORIANO SILVA

FLORIANO HENRIQUES SILVA


1º. Cabo SG 67-69







Pertencer ao AB4, faz de nós todos  irmãos, num sentido espiritual (nao religioso) em que dispendemos uma fase muito importante da nossa formacão como adultos, e que nos fez diferentes da maioria dos outros jovens.  
Ás vezes, as fotos que nos vemos sobre o AB4 e os AMS, dizem mais que as palavras, estive em todos eles, porque ia levar os envelopes com os salários. 
Vivemos tempos diferentes, quando cheguei ao AB4, no dia 25 de Abril de 1967, existia uma camarata para os cabos Especialistas, outra cabos Servico Geral, outra Bombeiros, outra Soldados; no meio destas quatro, havia o lavadouro, e do outro lado a PA, que eram a maioria. Todas classes viviam  sem muitas diferenças, porque eramos poucos, porque praticamente nao havia guerra no Leste. 
Mas passado pouco tempo tivemos socorrer os refugiados do Congo, na maioria Belgas, muitos deles eram mercenários, e logo de seguida tudo comecou a mudar, começaram os ataques ás Missões,  a Teixeira de Sousa e outras partes indefesas. 
Aos poucos o AB4 cresceu, e quando deixei o mesmo, em 24 de Abril de 1969, (coincidência de datas) o AB4 tinha perto de mil militares (AMS inclusivé).
Quando eu cheguei,  na Tesouraria,  secção de vencimentos e  Conselho Administrativo, o pessoal era composto por dois Capitães, dois Furrieis, um segundo Sargento e um Cabo Amanuense, (que era eu) que teve que reorganizar a secção de vencimentos, que mais tarde cresceu para 14 pessoas. Nessa altura, porque fazia os vencimentos de todos (os primeiros 6 ou 7 meses), conhecia todos os  Mecânicos, Eletricistas, M.Terreste, Abastecimentos, Pilotos, e maioria deles  pelo nome, ou alcunha. Acho que perdi com a minha ausência do país, actualmente encontro-me a viver nos EUA, mas fico contente de saber que muitos de vocês mantêm esse espirito vivo. 
Penso também naqueles que desapareceram (em especial aqueles com quem convivi e passamos bons tempos), mas a vida é assim mesmo, ao lembrarmos esses momentos é a nossa forma de os homenagearmos. 
Amigos, já agora, um reparo, a foto do macaco foi tirada nos paióis,  o macaco estava quase sempre com os Bombeiros, porque tinha muitos donos, e depois foi de castigo para os paióis por distúrbios causados dentro do carro do comandante João da Cruz Novo (o macaco foi morto por um Cabo de nome Lourenço). O segundo comandante era o Pinho Freire, bem agora tenho que ir, amanha e dia de trabalho, continuaremos brevemente, um abraço do tamanho daquilo que nos une, que é muito grande, pois dura uma vida inteira e contribuem para manter esta chama viva.



RAFAEL FREIXO

RAFAEL DOMINGOS S.A. FREIXO

1º. Cabo EABT 71-73





Fui incorporado em Maio/69 na Ota, 2ª 1969...Após conclusão da recruta fui para EABT.
Terminado o curso, fui colocado em Montejunto (GDACI).
Em 1971 rumei a Angola para o AB4.
Após 2 meses fui para o Luso, não me recordo do nº da base, pois era um destacamento do AB4.
Em Abril de 1973 regressei para o DGMFA, tendo passado à disponibilidade em 3 de DEZ 74.



CARLOS MAGRO

CARLOS ALBERTO V. LAMARES MAGRO

1º. Cabo MMA 71-72








1º.) Eniciei a recruta na Ota, em Janeiro de 1969 e acabei o curso de mecânico material aéreo em finais desse ano.
2º) Em 1970 fui colocado na Base Aérea nº.3 (Tancos) e em Fevereiro fui tirar formação de mecânica de Alouette III, nas OGMA.
3º) Em Dezembro de 1970 fui colocado na Base Aérea nº.9 (Luanda), em Fevereiro de 1971 fui para Henrique Carvalho com os PV2, tive sete meses na AB4. Depois fui os restantes para Luso para Alouettes III (Saltimbancos).
4º)Em 28 de Dezembro de 1972 acabei a minha comissão no Ultramar e regressei ao ao Continente. Fui colocado novamente na Base Aérea nº.3 (Tancos)
5º) Pedi transferência para S.Jacinto (Base Aérea nº.7) em Junho ou Julho de 1973 e em outubro finalizei o meu percurso na Força Aérea.

Com um Abraço me despeço
Carlos Magro

EDUARDO MATA

EDUARDO JOÃO GRAÇA MATA

1º. Cabo MRAD 73-74








Ingressei na 3ª. de 71 na Ota, em 1972 Fiz o curso de Mecânico de Rádio em Paço D’Arcos.
1973 de Janeiro a Março na BA4 Açores.
Março de 1974 Montijo à espera de embarque.
Março de 1973 Cheguei a Luanda e durante 15 dias colocado no BCP 21 em Belas.
Abril de 1973 chego a Henrique de Carvalho.
Março de 1974 regresso para o curso de furriéis.
Setembro de 1974, sou colocado na BA5 Monte Real.
Maio de 1975 colocado na Esquadra 12 Paços de Ferreira.
Em 1977, já como 2º Sargento fui frequentar o 1º curso de Formação de Sargentos do Q.P.
Em 1979 peço para passar à disponibilidade em 31 de Julho
Não terminei o curso de Formação por opção, que acabou na data em que passei À disponibilidade
Eduardo João Graça da Mata. Sou natural da Póvoa de Varzim.

Ingressei na FAP, na grande Escola da OTA, na 3ª de 71 na 2ª Esquadrilha, 2ª Secção. 
Depois da recruta, na famosa OTA, fui colocado em Paço D’Arcos, para tirar a especialidade de M/Rádio. Passei momentos agradáveis, pois a praia estava perto, ao salto de um muro. 
Em Janeiro de 73, fui para os Açores e foi aí que vi os aviões da Força Aérea norte americana. A curiosidade era enorme, que passava noites acordado a ver a chegada e descolagem dos mesmos. Nessa época os americanos estavam no teatro de guerra do Vietname. Era agradável e surpreendente, ver as aterragens e descolagens dos famosos C5 – Galaxy, mas também ganhei a consciência, daquilo que é ser militar numa guerra. Vi camaradas americanos, no regresso a casa, que saiam desses aviões de transporte de pessoal, como sendo autênticos farrapos, completamente desorientados e desintegrados da sociedade. Os olhos esbugalhados e pedindo licença a uma perna, para mexer a outra. Traumas da guerra.

Em Março de 1973, a Ordem de Serviço dizia que tinha sido mobilizado para a 2ª Região Aérea. Destino Luanda, em Angola, cidade que já conhecia. Não preciso datas, mas no dia em que cheguei, o autocarro Mercedes da FAP, transportou alguns de nós para Belas, onde estava o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas B.C.P. nº21. Foram quinze dias de formaturas para tudo. Era pior que na Ota durante a recruta.

Numa bela manhã regressei a Luanda e aí estava o Nor na placa à espera dos maçaricos, cujo o destino era Henrique de Carvalho.
Lembro-me que cheguei por volta do meio-dia e que o pessoal estava ao fundo da escada e perguntava qual a especialidade. Assim que disse a minha, ouço um grito “Smith” chegou o teu substituto.
O camarada, já estava a lerpar 6 meses. Escusado será dizer que o caminho, foi o do Clube de Especialistas e logo uma Nocal, depois outra e outra e ainda outra.
Apresentei-me na secção, ao chefe que na época era o Cap. Fausto Cruz.
Depois das apresentações, conheci Nestor Mesquita, o Valverde, o Dias, o Brandão e mais pessoal dos quais, a memória já não me recorda. Equipamentos para trás e para a frente, os PAY de VHF, os SSB-75L, que eram utilizados só para telegrafia, os RACAL TR-15A e o TR-15L, e os Hamarlund SP-600.
Ao cabo de duas semanas este rapaz, foi fazer o seu 1º destacamento ao Camaxilo.
A viagem foi feita no famoso Dakota. Quando lá cheguei, fiquei um tanto apreensivo, até porque quem passou por aquele Aeródromo de Manobras, não gostava de lá voltar. 
A rendição foi feita, o Dakota foi embora e agora estávamos ali. Não havia um DO-27, um Heli, nem mesmo um T-6. A paisagem era de mata em redor, trincheira com abrigo, os buracos das balas ainda estavam bem presentes nas paredes das guaritas e nos ferros da vedação. Os 5 Km de picada que nos levava ao destacamento do Exercito e ao centro (quatro casas, uma era o posto administrativo, duas eram as famosas cantinas e a outra, não sei a quem pertencia) era em areia.
Éramos 27 rapazes ao todo, 5 Especialistas, 20 militares da Polícia Aérea, o 1º Sargento e o Alferes Gama, que era ou é de Amarante. Era esta a equipa que tinha de estar 30 dias no meio do nada. Existia uma viatura Unimog Mercedes, que não tinha bateria, pegava de empurrão e só tinha um farol. Todos os dias de manhã, a viatura saia para ir ao exército buscar o casqueiro que comíamos às refeições. O Alferes Gama, persona non grata, fazia do destacamento a sua quinta. Este senhor, tornou-se bem conhecido, porque vendia o reabastecimento para as cantinas, principalmente a carne, cerveja e produtos de higiene. Depois convidava os civis das cantinas, para virem comer para o refeitório. A situação tornou-se insustentável e os Especialistas, enviaram para Henrique de Carvalho pedidos de substituição. Tenho a impressão que o Operador de Comunicações, era o Machado. Isso obrigou a que no dia seguinte logo pela manhã, aterrasse um Dakota com o médico Dr. Albuquerque e o Comandante do AB-4, que nos observou e ambos tiveram uma reunião com o dito cujo sanguinolento Gama
Numa bela tarde, logo após o almoço, nós os 5 especialistas saímos para uma caçada no velhinho unimog. Seguimos a picada da fronteira do Congo. A certa altura, saímos da picada e entramos na chana. O Enfº Virgílio Oliveira dizia, por aqui, por ali, eu já estive neste destacamento algumas vezes e sei o caminho. O certo é que já estávamos mesmo na fronteira com o Congo pois o marco geodésico assim o dizia e o carrito, ficou mesmo aí. Nem com as 4 saiu de lá. Ficou atascado até aos eixos. Bom, há que regressar a pé e pelo meio do mato, até encontrarmos a picada. Demos com a picada e logo a seguir com uma sanzala. Aí pedimos água e o Soba, mandou trazer cadeiras para o pessoal se sentar. A água chegou e servida com requinte, foi servida em copo de vidro com um pires. Agradecemos, mas começamos a perguntar se havia uma bicicleta para um de nós ir pedir ajuda ao Camaxilo.
Depois de uma troca de gestos e algumas palavras no dialecto, lá nos emprestou a bicicleta. Tiramos à sorte para ver quem ia buscar uma Berliet ao exército e logo me calhou essa tarefa.
A picada como já referi, era de areia e pedalar na areia, não dá grande jeito. Sobre o guiador levava a G-3 e Km sim, Km sim, dava um tombo. A corrente da bicla estava larga e ao pedalar saia com facilidade. A noite aproximava-se e eu ainda longe, pois a fronteira ficava a mais ou menos 40 Km da unidade.
De repente e ao sair de uma curva, deparo com um negro com um plástico verde, tipo capa e com uma arma na mão. Não tive tempo para ver mais nada, a adrenalina subiu ao máximo e o coração bateu até quase não poder respirar. De repente o negro deu uma corrida e embrenhou-se na mata. Passei pelo local a pedalar o mais que podia e logo mais à frente uns 2 Km, ouço um falar num dialecto africano, dentro da mata junto à berma. Voltei a pedalar com quanta força tinha e mais um tombo e de seguida outro. Quando cheguei já de noite à ponte de madeira que só tinha duas tábuas, fiquei mais tranquilo. Passei a ponte, eu de um lado e a bicla na outra tábua e subi a pé, porque não dava para pedalar a areia era muita.
Já era noite, quando cheguei ao entroncamento das picadas que davam para o exército, vejo os faróis da berliet que ia a sair com o pessoal da pacaça, para tomar café no aeródromo. Já tinham jantado. Prontificaram-se de imediato voltando para o aquartelamento e foi quando o CMD do exército disse que só saiam se a arma fosse com bala na câmara e granadas prontas, que a zona, era de risco. Saíram duas berliet com pessoal.
Bom, o certo é que se fez o regresso com o unimog e sem problemas de maior. Na unidade, o Virgílio Oliveira, teve de me aturar, tentou acalmar-me e já não me recordo, mas tenho a impressão que foi com os famosos comprimidos LM, que me fizeram efeito, quanto mais não fosse psicologicamente.
As noites eram bastante tensas. O gerador que fornecia a electricidade, era desligado e a unidade ficava às escuras.
A partir dessa peripécia, nunca mais dormi durante o resto das noites. Fazia plantão juntamente com os camaradas da Policia Aérea na torre que existia junto do edifício das camaratas. O medo existia em todos nós, principalmente durante a noite. Era-mos heróis, mas foram os heróis que tombaram. Ainda hoje, me recordo e vejo toda acena, como se fosse um filme.
Cumpridos os 30 dias, regressamos a Henrique de Carvalho e quando chegamos, tinha-mos uma recepção de camaradas que souberam do caso da fomita que por lá passamos e todos queriam ver os esfomeados.
Durante um mês, o AB-4 foi uma maravilha, saídas à noite para a cidade, uns servicitos na central de emissores que ficava perto do Clube e por falar nisto, recordo-me que uma bela noite e pelas 2 horas da madrugada, depois de umas cervejitas no Clube, o Pierre, o Oliveira e eu, ia-mos descansados a tropeçar, de fralda de fora e calças arregaçadas, quando eles que se dirigiam para as camaratas, foram apanhados pelo Comandante Rebelo, que lhes ofereceu boleia e os deixou na casa da rata. Porquê? Estava-mos todos de serviço, só que como eu ia para a central de emissores, não fui apanhado. Que sortinha.
Cazombo foi o meu 2º destacamento e toda a gente dizia que naquele aeródromo, as coisas eram diferentes. Havia sempre movimento de aviões e helis. Era uma zona de mais operações militares e por isso o movimento de tropas era mais acentuado. Estavam estacionados, uma companhia do exército, um pelotão de apoio directo. Mais pessoal civil e com ambiente nocturno. Afinal havia um bar, onde a rapaziada ia afogar as suas mágoas pois a filha do dono, dava bola para a rapaziada. Havia o bairro da JAEA, Junta Autónoma das Estradas de Angola, o Manel das pedras e um fulaninho muito pascaço, que mal via um avião comercial lá nas alturas, montava na mota e ia ao aeródromo perguntar “” Aquele avião é nosso? “”, Só podia ser o pide que estava destacado no posto. O Cazombo, até tinha um miradouro para o pessoal desfrutar da paisagem do rio Zambeze. A sanzala era do outro lado da pista.
Impressionou-me de facto, ver todos os dias gente de idade e crianças junto ao arame farpado, com as latas de fruta vazias, à espera dos restos da comida que sobrava das nossas refeições. Ainda hoje, vivo com essas imagens e há um episódio a este respeito que não vos conto.
Quase todas as tardes e por volta das 15:00 horas, o céu ficava escuro e havia uma descarga de agua e trovoada de cerca de meia hora. Era deslumbrante ver aquele espectáculo. Tudo passava e logo vinha o calor. O por do sol era maravilhoso, com as tonalidades do vermelho e do dourado a esconder-se por detrás das árvores. Só em África se consegue ver semelhante beleza.
Quando havia a rendição do piloto que estava destacado, toda a malta perguntava é o Teixeira, que tinha o nome de guerra “TEX” que vem a voar para cá? Era obvio que a presença do Corredeira, não era bem querida. Próximo da data da rendição, caí doente com paludismo e fui parar à enfermaria da companhia do exército que fazia fronteira com o AM43. Fui colocado no isolamento, mas sentia que as coisas não estavam bem. Temperaturas de 40 graus e delirava. Lembro-me de me terem aplicado soro, injecções de Penicilina, doses cavalares de 1.300.000 unidades e uns comprimidos, durante alguns dias.
Recordo-me perfeitamente do nome do Médico, Santos Clara e com a patente de Tenente.
A rendição foi feita e eu fiquei mais uns dias no Cazombo de férias. Estava a a apontar uma ida pelo Luso, para conhecer a cidade e a Base, quando aparece um Dakota, que para fazer o reabastecimento e lá fui nele para Henrique de Carvalho. A minha viagem ao Luso, vi-a por um canudo.
Passados 2 ou 3 meses, vou novamente para o Cazombo e desta vez, ia muito mais à vontade. Algumas caras eram conhecidas e o local familiar. No entanto uma semana depois, estava a chegar um heli com uma evacuação, a ambulância estava no AM e perto do Taxiway. Umas das espias da torre de comunicações, era presa ali por perto e o Furr. Enfº que conduzia a viatura, ao fazer manobras, arrancou as mesmas e a torre veio ao chão, ficando toda empenada e em alguns lanços destruída.
Lá tive de entrar em acção e socorrer-me do que havia, pelo menos prender as antenas dipolo a um ponto qualquer, para que houvesse comunicações com “Carvalho” A orientação das mesmas, não era a melhor, mas o OPC, lá conseguiu receber e enviar as MSGs. Mesmo com sinais fracos, em CW, sempre se consegue comunicar, os ti-ra-ris, sempre são bastante mais perceptíveis que a fonia.
Foi toda a noite a trabalhar com a ajuda do pessoal do exército do Pelotão de Apoio Directo. O seu CMD Tenente, cujo nome não me recordo, colocou todos os meios à minha disposição, enviando para o Aeródromo o carro oficina.
Pela manhã, a torre estava pronta e faltava coloca-la na vertical. Era uma torre frágil e estreita. Assim que a torre começa a ser içada, dobra pelo meio e foi preciso nova intervenção. A pressa era muita, pois o Cap. Pilav Oliveira ia chegar pela manhã no Dakota e era uma pessoa de poucas falas e com certeza que não gostaria de chegar sem ter perguntado pelo rádio, como estava o WX, para os menos familiarizados, quer dizer meteorologia.
Depois da nova reparação, a famigerada torre sempre se ergue sem problemas e este rapaz, teve de subir à mesma, toda a abanar, sem cinto de segurança porque não havia e prender as respectivas antenas.
Neste destacamento, as peripécias não terminaram por aqui, pois quando no termino da estadia no AM, tinha de trazer um equipamento Emissor/Receptor, que tinha avariado e não podendo ser intervencionado no mesmo e somente em Henrique de Carvalho.
O dia chegou, a manhã estava bonita e o dia óptimo para voar.
Chega a nossa barcarola, a rendição foi feita e já estávamos dentro do avião Dakota, claro, o mecânico de bordo, manda por os motores em marcha, depois de um deles se ter recusado por diversas vezes a funcionar. Começamos a rolar para a pista e eis que o pessoal que tinha ficado, começa a acenar e a gritar. O motor em causa estava a arder.
Foi dada ordem de evacuação e toda a gente saiu a correr muito. Com os extintores da unidade, lá se debelou o fogo e já não saímos dali.
Mais dois dias de espera até que chega uma equipa de manutenção. Aproveitamos o avião para regressar finalmente.
À chegada À placa do AB4, tinha o Cap. Fausto Cruz À minha espera e À espera do transceptor.
Então Sr. Eduardo, trouxe o rádio? Não Sr. Capitão, o rádio ficou e está ainda hoje dentro do avião que começou a arder.
É verdade. Só quando estávamos em voo, é que me apercebi que o equipamento tinha ficado. Ainda pedi ao OPC da tripulação, para contactar o Cazombo, mas um dos nossos grandes problemas eram as comunicações serem muito difíceis entre os pontos e com as aeronaves. Equipamentos bem usados e com problemas de estabilidade, desviando muitas das vezes da frequência devido à temperatura.
A promessa, foi de imediato “O Sr. vai levar uma porrada”. O nosso Cabo Especialista Eduardo Mata, começou a argumentar e lá conseguiu desempecilhar-se da situação, ficando tudo bem.
Em 11 Março de 1974, regresso à metrópole para frequentar o curso de furriéis. Estive de licença durante uns dias e logo de seguida, tivemos a 16 de Março a tentativa de golpe militar contra o regime. Só o Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha marcha sobre Lisboa. O golpe falhou. São presos cerca de 200 militares, alguns deles decisivamente envolvidos na preparação da "Revolução dos Cravos".
O 25 de Abril logo a seguir e as férias continuavam. O curso que era para começar em Março, só começou em Junho e em Setembro/Outubro de 1974, sou colocado na Base Aérea nº 5 em Monte Real.
A promoção chegou e só passados uns dias e por imposição, coloquei as divisas dos 3 bicos para baixo.
Monte Real, foi a Base que mais saudades me deixou. O bem-estar e a camaradagem existentes, eram os sentimentos mais presentes em toda a rapaziada, pois para além de estarmos numa Base que mexia, a maior parte tinha regressado do ex-ultramar. Ali convivi com o meu grande amigo Fernando Duarte, MMA e natural de Coimbra, o qual o conhecia desde Moçambique da B.A. 10
Em 10 de Março de 1975, vou a Lisboa, para tratar de assuntos relacionados com a vida militar. Estou em Paço D’Arcos e tinha acabado de sair da messe, quando olho para o céu e vejo dois T-6 armados com os ninhos de roquetes. Olho o portão e estava fechado. Imaginei de imediato que estávamos de prevenção.
Qual o meu espanto, sinto uma mão a agarrar-me o braço e ouço “O Sr. Furriel está detido” Era o Maj. Figueiredo do exército que questionou a minha presença naquela unidade. Lá lhe expliquei o que estava a fazer, que tinha ido buscar o diploma do curso e que dali, pretendia seguir para a Direcção do Serviço do Pessoal na rua António Augusto de Aguiar, perpendicular à Av. Fontes Pereira de Melo.
Depois de um grande interrogatório, o Maj. telefonou para a Base de Monte Real e o CMD, na resposta, disse-lhe que desconhecia a minha presença na Escola Militar de Electromecânica.
Nessa ocasião comecei a ficar preocupado, porque o Sr., não acreditava em mim. Então perguntei se ele podia dispensar um subordinado por um dia sem dar conhecimento ao CMD, ao que ele me respondeu que sim. De imediato lhe disse, pois foi o que se passou comigo. O meu chefe directo, Cap. Pinto autorizou-me e eis a razão porque estou aqui. Voltou a ligar confirmou a situação e fui o único para quem os portões se abriram para sair.
Chego a Lisboa e sem saber o que realmente se passava. Entro na D.S.P. e o alvoroço era enorme. Só via gente à civil a correr de gabinete em gabinete, até que alguém me perguntou o que ali estava a fazer e que de imediato desaparecesse e tirasse a farda.
O CMD na época era o TCor. Morais e Silva. Homem extremamente humano e de grande carácter, que sofreu algumas situações nada agradáveis, tais como uma comissão de militares da Base ter entrado pelo gabinete com G-3 e fazendo inquirições, mais parecendo um tribunal popular. Viviam-se tempos conturbados. Outra situação, foi a do Gen. Lemos Ferreira que se deslocou à Base e na sala de briefing, sofreu a mesma pressão, tendo chegado a ficar com os olhos molhados.
Nesta fase a extinta Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), que foi um grupo formado por exilados em Paris e que foi organizado por Emídio Guerreiro que depois foi um dos fundadores do PPD/PSD. Estavam sempre presentes naquela unidade, que era a mais operacional.
Mais tarde, em 1975, sou colocado na Estação de radar, Esquadra 12 em Paços de Ferreira, onde encontrei muitos camaradas que estiveram no Negage.
Outra grande confusão, foi o 25 de Novembro. Entramos em prevenção, chegando a montar metralhadoras no meio dos pedregulhos existentes no cimo da serra. O Comandante da época, era o Ten. Cor. Braga, uma excelente pessoa, homem de grande carácter, humano, amigo, sempre defensor do seu pessoal e que nos acompanhou durante mais uma façanha de alguns. Aliás, toda a guarnição, estava bastante unida e pronta a defender a unidade militar.
Abriu o 1º Curso de Formação de Sargentos em 1977 e lá fui outra vez até à “universidade” de Paço D’Arcos, a tão famosa Escola Militar de Electromecânica.
Era um curso com uma duração de 2 anos, mas já com alterações substanciais no que se refere à carga horária. Filosofia, Psicologia, Literatura, Inglês, Inglês técnico, Português, Organização militar, Sistemas de aeronaves e tantas outras que o tempo me fez apagar da memória. Para além das disciplinas da área, como Electrónica linear, Electrónica digital, Servomecanismos, Maquinas eléctricas, Electricidade. A mais interessante, era a ordem unida, que de ordem e unida, não tinha nada. Essa disciplina, era dada por um 2º Sarg. Pára-quedista, mas maçarico e que nunca tinha cruzado o Atlântico, nem que fosse até às Berlengas. A cena era que todo a turma do curso, tinham a tarimba do ex ultramar e não estavam para receber ordens do rapazinho com meia dúzia de dias de tropa.
Éramos cerca de 25 alunos e grande parte deles casados e já com filhos. O resultado foi que o Pára, pediu a transferência para Tancos, para junto da família das boinas verdes.
Concluí o 1º Ano com bom aproveitamento e a duas semanas do final do curso, já no 2º ano, pedi a passagem à disponibilidade, tendo regressado à Esq. 12, onde fiz o desquite.
Meus caros amigos, tal como dizia o saudoso Raul Solnado, Esta foi a historia da minha vida como militar.
Dessa vida, sobrou um hobby, que é o radioamadorismo.
Quero deixar-vos um grande Abraço, em especial ao Rui Neves, grande impulsionador deste Blog.

RUI PIRES

RUI FERNANDO M. PIRES

1º. Cabo OPC 69-71






Em 8 de Junho de 1947 foi inventado o mancebo. 
Em 27 de Maio de 1952 foi inventada a F.A.P. (Force Air Portuguesa) com a promulgação da lei 2055. 
Havia mancebo, havia F.A.P. pois é, o mancebo foi alistado na corporação de 5 Junho de 1967, como voluntário e apurado para todo o serviço da Aeronáutica. Ingressou na escola de recrutas na B.A.2 – OTA e foi-lhe atribuído o número (769/67).
Ainda na recruta foi-lhe solicitada a escolha da especialidade que pretendia frequentar:
1ª Escolha foi: M.R.A.D.
2ª Escolha foi: M.M.A.
Como a memória já me falha; creio que foi concedida a possibilidade de uma 3ª Escolha, se existiu, já não me lembro qual foi. Os bacanos depois de tanto pensarem mandaram-me para comunicações. Agora entendo porque o fizeram: esta opção estava em consonância com as primeiras escolhas. Em caso de avaria do equipamento tinha que falar com o mecânico de rádio, por outro lado o mesmo equipamento servia para auxiliar a navegação aérea, prestando informação sobre meteorologia e auxiliando as aeronaves nas descolagens e aterragens, sempre tinha alguma ligação com os M.M.A.
A recruta terminou em 25 de Agosto do mesmo ano.
Iniciei a frequência do curso de operador de comunicações, que com algum esforço e dedicação, finalizei em 26 de Abril de 1968, com a classificação de 13,94 valores. No dia 1 de Maio de 1968 fui promovido a 1º cabo/OPC. O curso em causa tinha um percurso mais longo que qualquer dos outros; tivemos que frequentar um estágio por mais três meses, que terminou em 2 de Agosto de 1968, terminei com a nota de 14,17 valores.
Em 31 de Agosto de 1968 fui colocado no G.D.A.C.I. (Grupo Detecção Alerta Controle Intervenção) se a memória não me falha era a designação para a sigla atrás referida. Entretanto, após dois meses de permanência no G.D.A.C.I., fui transferido para o Comando da 1ª Região Aérea, onde permaneci até Fevereiro de 1969, onde fui nomeado e transferido para a 2ª Região Aérea; A N G O L A.
Em Abril do ano acima referido, o mancebo foi metido no DC-6 identificado com o Nº 6706, que saiu do Aeroporto de Lisboa cerca das 10 horas da manhã do dia 24 de Abril, fizeram escala em Bissau, onde aterramos cerca das 16 horas para abastecer; reiniciámos a viagem e chegámos a Luanda por volta das 05 horas do dia 25 de Abril. Nessa manhã íamos tendo um final de viagem em grande; o DC-6 já na volta para se fazer à pista, foi forçado a abortar a aterragem pelo facto de estarem a descolar dois F-84, na mesma pista e em sentido contrário. Resultado final o DC-6 conseguiu recuperar e sair da trajectória das outras aeronaves que acabaram por bater de asa e despenharam-se junto da Unidade dos Pára-quedistas em Luanda(BCP21). Entramos assim com o pé direito em terras de África. Após uma curta permanência em Luanda na B.A.9, fui encaminhado para Henrique de Carvalho, localidade onde se encontrava o famoso A.B.4, unidade que me serviu de residência no período que decorreu de 25 de Abril de 1969 até 5 de Novembro de 1971. Durante a estadia fui colocado por duas vezes no destacamento de Gago Coutinho, e outras duas no destacamento do Luso.
Passámos momentos bons e maus; os bons foram os que aproveitámos com as grandes petiscadas que fazíamos no hangar após as grandes caçadas que o helicóptero fazia, isto é, que a sua tripulação fazia. Como não tínhamos acesso a refeições de qualidade nem de quantidade, resumindo; a fome, dessa sim! É que havia grande abundância. Quando a caçada existia, fazíamos grandes petiscadas durante o dia e que se arrastavam pela noite dentro.
Os maus momentos, penso que tem pouco interesse falar dessas passagens pois foram pouco desejáveis e acabaram por cair no esquecimento ao fim destes anos todos.
Uma outra passagem agradável e que nos trouxe alegria e boa disposição; refiro-me ao almoço organizado pela esquadrilha de abastecimentos nas quedas do chicapa, onde tomamos uns bons banhos e se a memoria não me falha o menu foi bacalhau e uns grelhados, mas se estou a informar mal corrijam-me por favor. Um dia bem passado em confraternização e da velha amizade que nos aproximou naqueles tempos difíceis. Como não conseguimos acabar com o produto, fomos terminar a festa na esquadrilha de abastecimentos; escusado será de dizer que a coisa terminou pela noite fora.
Entretanto, depois do bem almoçados e bem jantados, começaram por surgir as cadelas. Saliento a “Bernarda” que o nosso amigo António do Rosário Barahona apanhou; porque este menino bem formado e educado que era; nunca o ouvi maltratar ninguém e muito menos entrar em conflito fosse com quem fosse. Nesse dia festivo excedeu todas as marcas e quando o acompanhei ate à camarata, assim que se sentou na cama, cheirou-lhe ao perfume que a namorada usava, e utilizava também nas cartas que lhe enviava. O nosso amigo Barahona desatou num choro infernal e para colmatar a dor, em cuecas resolveu ir passar revista aos postos das sentinelas; digo-lhes que foi um caso sério para conseguir evitar o acidente. Se levasse a dele avante, certamente poderia ser apanhado em flagrante pelo Sargento de dia ou pelo Oficial de dia, o que lhe poderia trazer problemas sem necessidade.
Termino com muita pena de não saber o paradeiro do Barahona, lembro-me que há uns anos atrás encontrava-se emigrado no Canadá. Espero que um dia visite o blog e se aperceba que os manhosos da altura dele ainda circulam pelo planeta Terra. 

Envio um abraço para todos.





GUALTER SILVEIRA

GUALTER GARCIA SILVEIRA



1º. Cabo MMA 68-70






Olá Rui.
Quanto ao meu Curriculum Militar, aqui vai:
Gualter Garcia Silveira, (Garcia é o nome pelo qual era conhecido na "guerra");
Incorporado em Janeiro de 1967;
Em Fevereiro/Março de 1968, fui para a BA-4 - Açores, donde sou natural (Ilha do Pico);
Em Agosto do mesmo ano estive como adido na BA-6 até seguir para Angola em Setembro do mesmo, e fui colocado em H. Carvalho AB-4.
No fim ano seguinte, fui para o Luso, e por lá fiquei até ser mandado em Março de 1970 para o Casombo, até Outubro, altura em que regressei ao AB-4.
Em Novembro desse ano, regressei aos Açores BA-4 e passei à disponibilidade em 1/1/1971, regressando de novo ao meu emprego (funcionário dos Caminhos de Ferro de Moçambique - Lourenço Marques).
No fim desse ano, deixei os Caminhos de Ferro, e passei para o Banco Pinto e Sotto Mayor, do qual sou reformado.
Em 1972, casei e fui pai ainda em Moçambique, donde regressei em Janeiro de 1975.
Tenho dois filhos (a filha já nasceu cá em Vila Franca de Xira) e 2 netos (2 rapazes), um de cada filhote. Posso adiantar que a minha mulher (chama-se Zita-diminuitivo), gosta tanto ou mais que eu, destes convívios, tanto Especialistas, como Chamuanzas, e ás vezes é mais ela que me incentiva a ir, recordar velhos tempos. Creio que respondi ao teu pedido.
Um abraço, 
Gualter.
Nota: Vivo em Vila Franca de Xira, e passo muito tempo no Parque de Campismo de Fetais no Meco, onde qualquer "Murcão" da Força Aérea (Zé Especial principalmente), é bem vindo.

JOSÉ SILVA

JOSÉ ANTÓNIO CORREIA DA SILVA


1º. Cabo OMET 74-75





Olá:
Sou o José António Correia da Silva, PCAB OMET, recruta nº 1107/73 da 3ª incorporação de 1973 na BA2 (Ota), onde ingressei em Setembro daquele ano e aí fiz a recruta e a especialidade (meteorologia). 
Nessa altura aconteceu o 25 de Abril de 74 e pouco tempo depois fui colocado na BA7 (S. Jacinto), de onde fui mobilizado para a BA9 (Luanda), tendo embarcado em finais de Setembro de 74. 
Já em Outubro fui colocado no AB4 (Henrique de Carvalho), onde permaneci até finais de Junho de 75, não sem que antes tivesse presenciado e, até certo ponto, participado nos acontecimentos de 11 de Junho em Henrique de Carvalho e no dia seguinte no AB4.
Despedi-me de Angola e regressei à Metrópole já em Julho e fui colocado em Tancos, tendo aí assistido aos acontecimentos do 25 de Novembro de 1975. 
Em Março de 1976 passei à disponibilidade.
A partir daí a minha vida decorreu dentro da normalidade. Casei e tenho dois filhos varões, um dos quais casado e já me deu uma neta, a Leonor de 4 anos. Fui bancário e desde há seis anos estou reformado. Presentemente tenho 56 anos.
Envio fotos dos meus tempos de "tropa".
Um abraço do Correia da Silva.

CARLOS SEQUEIRA

CARLOS ALBERTO C. SEQUEIRA "Mambo"


Furriel Piloto 73-75





"Alô Neves ou "EMPLASTRO", como queiras.
Sim, estive no AB4, ou melhor, no AR Luso, por conveniência operacional, uma vez que pertenci a Esq. de "Hélis", onde voei como PIL.de 74-75...fiz a última descolagem dos "SALTIMBANCOS" por aquelas paragens.
Saí do LUSO, A 14 de Agosto de 75, acompanhava-me o então 2º. Sarg.Mil.Costa MMA, fizemos um périplo por H. de Carvalho, Capenda, Malange, Dondo e por fim Luanda...De AL.III, claro!
Para o Costa foi aterrador, pois eu já estava habituado...Já havia tiroteio por todas as cidades e aquilo no fim não foi pera "doce"...
Estive indigitado para ficar e fazer a cerimónia do arrear a Bandeira, mas recusei, ainda fiz algumas missões a partir de Luanda e acabei por embarcar a 22 de Outubro deste mesmo ano para cá.

Aquele abraço.
Carlos Sequeira, um aviador.

ARNALDO RAMOS

ARNALDO MOROUÇO RAMOS


1º. Cabo MAEQ 70/72





-Especialidade em MAEQ e conhecido na vida militar por RAMOS
-Incorporado na Ota na 1ª incorporação de 1969
-Após a especialidade fui colocado na B.A.5, Monte Real, em 1970
-Mobilizado para Angola ainda em 1970, com chegada a Luanda a 3/10 e, a H. de Carvalho a 5 de Outubro.
-Passei grande parte da comissão em Gago Coutinho.
-Desmobilizado de Angola em Novembro de 1972 e recolocado na B.A. 5, Base situada nas proximidades da minha cidade, Mª. Grande.
-Passei à disponibilidade em Fevereiro de 1973, após quatro anos de serviço militar.
-Na vida civil, trabalhei nos ramos de plásticos e moldes, ramo no qual estive estabelecido na parte da comercialização.
-Actualmente, cessei a minha actividade por falta de trabalho e encontro-me na situação de reformado.
-Casado. Tenho uma filha e, dois netos .
-É com muito gosto que me revejo neste grupo do AB4 e, arredores ... , 
... as minhas saudações!...

Arnaldo Morouço Ramos

CARLOS CIBRÃO

CARLOS MANUEL R.N. CIBRÃO

Furriel OPCART 71-73



Depois da Ota, fui colocado nas Lajes, (BA-4), Açores (1970-1971). 
Mobilizado para H. Carvalho, (AB-4), como voluntário (1971 – 1973 e ½).
De Henrique Carvalho voltei ás Lajes em fins 1973, onde cheguei a ser Primeiro Sargento Miliciano e onde entrei para o Quadro Permanente. 
Durante os cerca de 18 anos lá colocado, tirei o curso de Sargento-Ajudante na Ota e mais tarde fui promovido. Em 1991 voltei á Ota para tirar o curso de promoção a Sargento-Chefe. Após a conclusão do mesmo (1992) fui colocado em Monte Real (BA5) onde fui promovido e aí me mantive até 1997, altura que fui convidado para uma missão de 3 anos no Quartel-General da OTAN (SHAPE) em Mons, Bélgica. 
Em 2000 regressei a Portugal e fui colocado em Beja (BA11), fui promovido a Sargento-Mor, e ao fim de cerca de um ano e meio regressei a Monte Real.
Mantive-me em Monte Real até que passado algum tempo, quando perfiz dois anos de posto de Mor, pedi a passagem á Reserva, o que me foi concedido.
Agora estou na Reforma fazendo “nada”, ou melhor entretendo-me com modelos em 3D e programação de (aprendendo) jogos aventuras interactivas de texto, em 2D, 2.5 e 3D.
Nasci em Barcelos em 1948.
Estou a morar na Marinha Grande.
Sou casado, tenho dois filhos, um rapaz licenciado que trabalha aqui na Marinha e uma filha que é Primeiro-Sargento OPCART.
Um abraço a todos meus amigos, conhecidos e porque não aos “não-amigos”.
Carlos CIbrão

SILVÉRIO PINHO

SILVÉRIO FERNANDES PINHO


Soldado PA 67-69




NATURALIDADE: FROSSOS
CONCELHO: ALBERGARIA-A-VELHA
DATA NASCIMENTO: 14-11-1946
IDENTIFICAÇÃO MILITAR: 005414/67
ARMA INFANTARIA - FORÇA AÉREA
ESPECIALIDADE: ATIRADOR - POLICIA AEREA
POSTO: SOLDADO
UNIDADES: R.I.7 - B.A.3 - A. B. 4 - C.R.M. 1.
ANGOLA
EMBARQUE: 07-08-1967 LISBOA (AVIÃO)
DESEMBARQUE: 08- 08 - 1967 LUANDA
LOCALIDADES: HENRIQUE CARVALHO
REGRESSO: 02-12-1969 (AVIÃO)
RESIDÊNCIA: CACIA

JOSÉ PEREIRA

JOSÉ MANUEL C. PEREIRA

Soldado PA 70-72





NÚMERO 164122/70
ARMA INFANTARIA - FORÇA AÉREA
ESPECIALIDADE: POLICIA MILITAR
POSTO: SOLDADO
UNIDADES: R.I.7 - B.A.3 - B.A.7 - 2ª A B 4 - C.R.M.1
ANGOLA
EMBARQUE: 29 - 10 - 1970 LISBOA (AVIÃO)
DESEMBARQUE: 30 - 10 - 1970 LUANDA
PERTENCEU: 2.ª Rª / A.B. Nº 4
LOCALIDADES: LUANDA - HENRIQUE CARVALHO - CAZOMBO - CAMAXILO
REGRESSO: 28 - 11 - 1972 (AVIÃO)

RUI BETTENCOURT

RUI BETTENCOURT


1º. Cabo OPC 73-74




Caro amigo
Bem , a minha especialidade era OPC e estive no AB4 entre meados de 73 a finais de 74 . Lembro-me tão pouco do pessoal por lá , talvez também porque me isolava um pouco porque na altura estudava já bastante e queria aproveitar bem aquele interregno.
Nunca fiz qualquer destacamento apesar de a uma dada altura ter me voluntariado para tal.
Lembro-me de um amigo que enrolava os paraquedas na torre junto à enfermaria, cujo nome não me lembro. Também me recordo do Oliveira enfermeiro . Do Prates, do Sanona de MMT salvo erro. E por ai uma dúzia de amigos que recordo muito vagamente. Ah e do Pestana e a sua moto. Hoje é o "dono" do Império Pestana Hotéis .
Fui incorporado em 1971 e passei à disponibilidade em 1975.
Mas, brevemente e logo que oportuno, prometo enviar então um texto para a coluna do Companheiro da Quizena .
Junto envio uma foto dos momentos actuais embora sobre o AB4 não possuir nada ,com muita pena minha. 
Aquele abraço
Rui Bettencourt