Mostrar mensagens com a etiqueta RUI F.M.PIRES -OPC. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta RUI F.M.PIRES -OPC. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

RUI PIRES

RUI FERNANDO M. PIRES

1º. Cabo OPC 69-71






Em 8 de Junho de 1947 foi inventado o mancebo. 
Em 27 de Maio de 1952 foi inventada a F.A.P. (Force Air Portuguesa) com a promulgação da lei 2055. 
Havia mancebo, havia F.A.P. pois é, o mancebo foi alistado na corporação de 5 Junho de 1967, como voluntário e apurado para todo o serviço da Aeronáutica. Ingressou na escola de recrutas na B.A.2 – OTA e foi-lhe atribuído o número (769/67).
Ainda na recruta foi-lhe solicitada a escolha da especialidade que pretendia frequentar:
1ª Escolha foi: M.R.A.D.
2ª Escolha foi: M.M.A.
Como a memória já me falha; creio que foi concedida a possibilidade de uma 3ª Escolha, se existiu, já não me lembro qual foi. Os bacanos depois de tanto pensarem mandaram-me para comunicações. Agora entendo porque o fizeram: esta opção estava em consonância com as primeiras escolhas. Em caso de avaria do equipamento tinha que falar com o mecânico de rádio, por outro lado o mesmo equipamento servia para auxiliar a navegação aérea, prestando informação sobre meteorologia e auxiliando as aeronaves nas descolagens e aterragens, sempre tinha alguma ligação com os M.M.A.
A recruta terminou em 25 de Agosto do mesmo ano.
Iniciei a frequência do curso de operador de comunicações, que com algum esforço e dedicação, finalizei em 26 de Abril de 1968, com a classificação de 13,94 valores. No dia 1 de Maio de 1968 fui promovido a 1º cabo/OPC. O curso em causa tinha um percurso mais longo que qualquer dos outros; tivemos que frequentar um estágio por mais três meses, que terminou em 2 de Agosto de 1968, terminei com a nota de 14,17 valores.
Em 31 de Agosto de 1968 fui colocado no G.D.A.C.I. (Grupo Detecção Alerta Controle Intervenção) se a memória não me falha era a designação para a sigla atrás referida. Entretanto, após dois meses de permanência no G.D.A.C.I., fui transferido para o Comando da 1ª Região Aérea, onde permaneci até Fevereiro de 1969, onde fui nomeado e transferido para a 2ª Região Aérea; A N G O L A.
Em Abril do ano acima referido, o mancebo foi metido no DC-6 identificado com o Nº 6706, que saiu do Aeroporto de Lisboa cerca das 10 horas da manhã do dia 24 de Abril, fizeram escala em Bissau, onde aterramos cerca das 16 horas para abastecer; reiniciámos a viagem e chegámos a Luanda por volta das 05 horas do dia 25 de Abril. Nessa manhã íamos tendo um final de viagem em grande; o DC-6 já na volta para se fazer à pista, foi forçado a abortar a aterragem pelo facto de estarem a descolar dois F-84, na mesma pista e em sentido contrário. Resultado final o DC-6 conseguiu recuperar e sair da trajectória das outras aeronaves que acabaram por bater de asa e despenharam-se junto da Unidade dos Pára-quedistas em Luanda(BCP21). Entramos assim com o pé direito em terras de África. Após uma curta permanência em Luanda na B.A.9, fui encaminhado para Henrique de Carvalho, localidade onde se encontrava o famoso A.B.4, unidade que me serviu de residência no período que decorreu de 25 de Abril de 1969 até 5 de Novembro de 1971. Durante a estadia fui colocado por duas vezes no destacamento de Gago Coutinho, e outras duas no destacamento do Luso.
Passámos momentos bons e maus; os bons foram os que aproveitámos com as grandes petiscadas que fazíamos no hangar após as grandes caçadas que o helicóptero fazia, isto é, que a sua tripulação fazia. Como não tínhamos acesso a refeições de qualidade nem de quantidade, resumindo; a fome, dessa sim! É que havia grande abundância. Quando a caçada existia, fazíamos grandes petiscadas durante o dia e que se arrastavam pela noite dentro.
Os maus momentos, penso que tem pouco interesse falar dessas passagens pois foram pouco desejáveis e acabaram por cair no esquecimento ao fim destes anos todos.
Uma outra passagem agradável e que nos trouxe alegria e boa disposição; refiro-me ao almoço organizado pela esquadrilha de abastecimentos nas quedas do chicapa, onde tomamos uns bons banhos e se a memoria não me falha o menu foi bacalhau e uns grelhados, mas se estou a informar mal corrijam-me por favor. Um dia bem passado em confraternização e da velha amizade que nos aproximou naqueles tempos difíceis. Como não conseguimos acabar com o produto, fomos terminar a festa na esquadrilha de abastecimentos; escusado será de dizer que a coisa terminou pela noite fora.
Entretanto, depois do bem almoçados e bem jantados, começaram por surgir as cadelas. Saliento a “Bernarda” que o nosso amigo António do Rosário Barahona apanhou; porque este menino bem formado e educado que era; nunca o ouvi maltratar ninguém e muito menos entrar em conflito fosse com quem fosse. Nesse dia festivo excedeu todas as marcas e quando o acompanhei ate à camarata, assim que se sentou na cama, cheirou-lhe ao perfume que a namorada usava, e utilizava também nas cartas que lhe enviava. O nosso amigo Barahona desatou num choro infernal e para colmatar a dor, em cuecas resolveu ir passar revista aos postos das sentinelas; digo-lhes que foi um caso sério para conseguir evitar o acidente. Se levasse a dele avante, certamente poderia ser apanhado em flagrante pelo Sargento de dia ou pelo Oficial de dia, o que lhe poderia trazer problemas sem necessidade.
Termino com muita pena de não saber o paradeiro do Barahona, lembro-me que há uns anos atrás encontrava-se emigrado no Canadá. Espero que um dia visite o blog e se aperceba que os manhosos da altura dele ainda circulam pelo planeta Terra. 

Envio um abraço para todos.