EDUARDO JOÃO GRAÇA MATA1º. Cabo MRAD 73-74
Ingressei na 3ª. de 71 na Ota, em 1972 Fiz o curso de Mecânico de Rádio em Paço D’Arcos.
1973 de Janeiro a Março na BA4 Açores.
1973 de Janeiro a Março na BA4 Açores.
Março de 1974 Montijo à espera de embarque.
Março de 1973 Cheguei a Luanda e durante 15 dias colocado no BCP 21 em Belas.
Abril de 1973 chego a Henrique de Carvalho.
Março de 1974 regresso para o curso de furriéis.
Setembro de 1974, sou colocado na BA5 Monte Real.
Maio de 1975 colocado na Esquadra 12 Paços de Ferreira.
Em 1977, já como 2º Sargento fui frequentar o 1º curso de Formação de Sargentos do Q.P.
Em 1979 peço para passar à disponibilidade em 31 de Julho
Não terminei o curso de Formação por opção, que acabou na data em que passei À disponibilidade
Eduardo João Graça da Mata. Sou natural da Póvoa de Varzim.
Ingressei na FAP, na grande Escola da OTA, na 3ª de 71 na 2ª Esquadrilha, 2ª Secção.
Depois da recruta, na famosa OTA, fui colocado em Paço D’Arcos, para tirar a especialidade de M/Rádio. Passei momentos agradáveis, pois a praia estava perto, ao salto de um muro.
Em Janeiro de 73, fui para os Açores e foi aí que vi os aviões da Força Aérea norte americana. A curiosidade era enorme, que passava noites acordado a ver a chegada e descolagem dos mesmos. Nessa época os americanos estavam no teatro de guerra do Vietname. Era agradável e surpreendente, ver as aterragens e descolagens dos famosos C5 – Galaxy, mas também ganhei a consciência, daquilo que é ser militar numa guerra. Vi camaradas americanos, no regresso a casa, que saiam desses aviões de transporte de pessoal, como sendo autênticos farrapos, completamente desorientados e desintegrados da sociedade. Os olhos esbugalhados e pedindo licença a uma perna, para mexer a outra. Traumas da guerra.
Depois da recruta, na famosa OTA, fui colocado em Paço D’Arcos, para tirar a especialidade de M/Rádio. Passei momentos agradáveis, pois a praia estava perto, ao salto de um muro.
Em Janeiro de 73, fui para os Açores e foi aí que vi os aviões da Força Aérea norte americana. A curiosidade era enorme, que passava noites acordado a ver a chegada e descolagem dos mesmos. Nessa época os americanos estavam no teatro de guerra do Vietname. Era agradável e surpreendente, ver as aterragens e descolagens dos famosos C5 – Galaxy, mas também ganhei a consciência, daquilo que é ser militar numa guerra. Vi camaradas americanos, no regresso a casa, que saiam desses aviões de transporte de pessoal, como sendo autênticos farrapos, completamente desorientados e desintegrados da sociedade. Os olhos esbugalhados e pedindo licença a uma perna, para mexer a outra. Traumas da guerra.
Em Março de 1973, a Ordem de Serviço dizia que tinha sido mobilizado para a 2ª Região Aérea. Destino Luanda, em Angola, cidade que já conhecia. Não preciso datas, mas no dia em que cheguei, o autocarro Mercedes da FAP, transportou alguns de nós para Belas, onde estava o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas B.C.P. nº21. Foram quinze dias de formaturas para tudo. Era pior que na Ota durante a recruta.
Numa bela manhã regressei a Luanda e aí estava o Nor na placa à espera dos maçaricos, cujo o destino era Henrique de Carvalho.
Lembro-me que cheguei por volta do meio-dia e que o pessoal estava ao fundo da escada e perguntava qual a especialidade. Assim que disse a minha, ouço um grito “Smith” chegou o teu substituto.
O camarada, já estava a lerpar 6 meses. Escusado será dizer que o caminho, foi o do Clube de Especialistas e logo uma Nocal, depois outra e outra e ainda outra.
Apresentei-me na secção, ao chefe que na época era o Cap. Fausto Cruz.
Depois das apresentações, conheci Nestor Mesquita, o Valverde, o Dias, o Brandão e mais pessoal dos quais, a memória já não me recorda. Equipamentos para trás e para a frente, os PAY de VHF, os SSB-75L, que eram utilizados só para telegrafia, os RACAL TR-15A e o TR-15L, e os Hamarlund SP-600.
Ao cabo de duas semanas este rapaz, foi fazer o seu 1º destacamento ao Camaxilo.
A viagem foi feita no famoso Dakota. Quando lá cheguei, fiquei um tanto apreensivo, até porque quem passou por aquele Aeródromo de Manobras, não gostava de lá voltar.
A rendição foi feita, o Dakota foi embora e agora estávamos ali. Não havia um DO-27, um Heli, nem mesmo um T-6. A paisagem era de mata em redor, trincheira com abrigo, os buracos das balas ainda estavam bem presentes nas paredes das guaritas e nos ferros da vedação. Os 5 Km de picada que nos levava ao destacamento do Exercito e ao centro (quatro casas, uma era o posto administrativo, duas eram as famosas cantinas e a outra, não sei a quem pertencia) era em areia.
Éramos 27 rapazes ao todo, 5 Especialistas, 20 militares da Polícia Aérea, o 1º Sargento e o Alferes Gama, que era ou é de Amarante. Era esta a equipa que tinha de estar 30 dias no meio do nada. Existia uma viatura Unimog Mercedes, que não tinha bateria, pegava de empurrão e só tinha um farol. Todos os dias de manhã, a viatura saia para ir ao exército buscar o casqueiro que comíamos às refeições. O Alferes Gama, persona non grata, fazia do destacamento a sua quinta. Este senhor, tornou-se bem conhecido, porque vendia o reabastecimento para as cantinas, principalmente a carne, cerveja e produtos de higiene. Depois convidava os civis das cantinas, para virem comer para o refeitório. A situação tornou-se insustentável e os Especialistas, enviaram para Henrique de Carvalho pedidos de substituição. Tenho a impressão que o Operador de Comunicações, era o Machado. Isso obrigou a que no dia seguinte logo pela manhã, aterrasse um Dakota com o médico Dr. Albuquerque e o Comandante do AB-4, que nos observou e ambos tiveram uma reunião com o dito cujo sanguinolento Gama
Numa bela tarde, logo após o almoço, nós os 5 especialistas saímos para uma caçada no velhinho unimog. Seguimos a picada da fronteira do Congo. A certa altura, saímos da picada e entramos na chana. O Enfº Virgílio Oliveira dizia, por aqui, por ali, eu já estive neste destacamento algumas vezes e sei o caminho. O certo é que já estávamos mesmo na fronteira com o Congo pois o marco geodésico assim o dizia e o carrito, ficou mesmo aí. Nem com as 4 saiu de lá. Ficou atascado até aos eixos. Bom, há que regressar a pé e pelo meio do mato, até encontrarmos a picada. Demos com a picada e logo a seguir com uma sanzala. Aí pedimos água e o Soba, mandou trazer cadeiras para o pessoal se sentar. A água chegou e servida com requinte, foi servida em copo de vidro com um pires. Agradecemos, mas começamos a perguntar se havia uma bicicleta para um de nós ir pedir ajuda ao Camaxilo.
Depois de uma troca de gestos e algumas palavras no dialecto, lá nos emprestou a bicicleta. Tiramos à sorte para ver quem ia buscar uma Berliet ao exército e logo me calhou essa tarefa.
A picada como já referi, era de areia e pedalar na areia, não dá grande jeito. Sobre o guiador levava a G-3 e Km sim, Km sim, dava um tombo. A corrente da bicla estava larga e ao pedalar saia com facilidade. A noite aproximava-se e eu ainda longe, pois a fronteira ficava a mais ou menos 40 Km da unidade.
De repente e ao sair de uma curva, deparo com um negro com um plástico verde, tipo capa e com uma arma na mão. Não tive tempo para ver mais nada, a adrenalina subiu ao máximo e o coração bateu até quase não poder respirar. De repente o negro deu uma corrida e embrenhou-se na mata. Passei pelo local a pedalar o mais que podia e logo mais à frente uns 2 Km, ouço um falar num dialecto africano, dentro da mata junto à berma. Voltei a pedalar com quanta força tinha e mais um tombo e de seguida outro. Quando cheguei já de noite à ponte de madeira que só tinha duas tábuas, fiquei mais tranquilo. Passei a ponte, eu de um lado e a bicla na outra tábua e subi a pé, porque não dava para pedalar a areia era muita.
Já era noite, quando cheguei ao entroncamento das picadas que davam para o exército, vejo os faróis da berliet que ia a sair com o pessoal da pacaça, para tomar café no aeródromo. Já tinham jantado. Prontificaram-se de imediato voltando para o aquartelamento e foi quando o CMD do exército disse que só saiam se a arma fosse com bala na câmara e granadas prontas, que a zona, era de risco. Saíram duas berliet com pessoal.
Bom, o certo é que se fez o regresso com o unimog e sem problemas de maior. Na unidade, o Virgílio Oliveira, teve de me aturar, tentou acalmar-me e já não me recordo, mas tenho a impressão que foi com os famosos comprimidos LM, que me fizeram efeito, quanto mais não fosse psicologicamente.
As noites eram bastante tensas. O gerador que fornecia a electricidade, era desligado e a unidade ficava às escuras.
A partir dessa peripécia, nunca mais dormi durante o resto das noites. Fazia plantão juntamente com os camaradas da Policia Aérea na torre que existia junto do edifício das camaratas. O medo existia em todos nós, principalmente durante a noite. Era-mos heróis, mas foram os heróis que tombaram. Ainda hoje, me recordo e vejo toda acena, como se fosse um filme.
Cumpridos os 30 dias, regressamos a Henrique de Carvalho e quando chegamos, tinha-mos uma recepção de camaradas que souberam do caso da fomita que por lá passamos e todos queriam ver os esfomeados.
Durante um mês, o AB-4 foi uma maravilha, saídas à noite para a cidade, uns servicitos na central de emissores que ficava perto do Clube e por falar nisto, recordo-me que uma bela noite e pelas 2 horas da madrugada, depois de umas cervejitas no Clube, o Pierre, o Oliveira e eu, ia-mos descansados a tropeçar, de fralda de fora e calças arregaçadas, quando eles que se dirigiam para as camaratas, foram apanhados pelo Comandante Rebelo, que lhes ofereceu boleia e os deixou na casa da rata. Porquê? Estava-mos todos de serviço, só que como eu ia para a central de emissores, não fui apanhado. Que sortinha.
Cazombo foi o meu 2º destacamento e toda a gente dizia que naquele aeródromo, as coisas eram diferentes. Havia sempre movimento de aviões e helis. Era uma zona de mais operações militares e por isso o movimento de tropas era mais acentuado. Estavam estacionados, uma companhia do exército, um pelotão de apoio directo. Mais pessoal civil e com ambiente nocturno. Afinal havia um bar, onde a rapaziada ia afogar as suas mágoas pois a filha do dono, dava bola para a rapaziada. Havia o bairro da JAEA, Junta Autónoma das Estradas de Angola, o Manel das pedras e um fulaninho muito pascaço, que mal via um avião comercial lá nas alturas, montava na mota e ia ao aeródromo perguntar “” Aquele avião é nosso? “”, Só podia ser o pide que estava destacado no posto. O Cazombo, até tinha um miradouro para o pessoal desfrutar da paisagem do rio Zambeze. A sanzala era do outro lado da pista.
Impressionou-me de facto, ver todos os dias gente de idade e crianças junto ao arame farpado, com as latas de fruta vazias, à espera dos restos da comida que sobrava das nossas refeições. Ainda hoje, vivo com essas imagens e há um episódio a este respeito que não vos conto.
Quase todas as tardes e por volta das 15:00 horas, o céu ficava escuro e havia uma descarga de agua e trovoada de cerca de meia hora. Era deslumbrante ver aquele espectáculo. Tudo passava e logo vinha o calor. O por do sol era maravilhoso, com as tonalidades do vermelho e do dourado a esconder-se por detrás das árvores. Só em África se consegue ver semelhante beleza.
Quando havia a rendição do piloto que estava destacado, toda a malta perguntava é o Teixeira, que tinha o nome de guerra “TEX” que vem a voar para cá? Era obvio que a presença do Corredeira, não era bem querida. Próximo da data da rendição, caí doente com paludismo e fui parar à enfermaria da companhia do exército que fazia fronteira com o AM43. Fui colocado no isolamento, mas sentia que as coisas não estavam bem. Temperaturas de 40 graus e delirava. Lembro-me de me terem aplicado soro, injecções de Penicilina, doses cavalares de 1.300.000 unidades e uns comprimidos, durante alguns dias.
Recordo-me perfeitamente do nome do Médico, Santos Clara e com a patente de Tenente.
A rendição foi feita e eu fiquei mais uns dias no Cazombo de férias. Estava a a apontar uma ida pelo Luso, para conhecer a cidade e a Base, quando aparece um Dakota, que para fazer o reabastecimento e lá fui nele para Henrique de Carvalho. A minha viagem ao Luso, vi-a por um canudo.
Passados 2 ou 3 meses, vou novamente para o Cazombo e desta vez, ia muito mais à vontade. Algumas caras eram conhecidas e o local familiar. No entanto uma semana depois, estava a chegar um heli com uma evacuação, a ambulância estava no AM e perto do Taxiway. Umas das espias da torre de comunicações, era presa ali por perto e o Furr. Enfº que conduzia a viatura, ao fazer manobras, arrancou as mesmas e a torre veio ao chão, ficando toda empenada e em alguns lanços destruída.
Lá tive de entrar em acção e socorrer-me do que havia, pelo menos prender as antenas dipolo a um ponto qualquer, para que houvesse comunicações com “Carvalho” A orientação das mesmas, não era a melhor, mas o OPC, lá conseguiu receber e enviar as MSGs. Mesmo com sinais fracos, em CW, sempre se consegue comunicar, os ti-ra-ris, sempre são bastante mais perceptíveis que a fonia.
Foi toda a noite a trabalhar com a ajuda do pessoal do exército do Pelotão de Apoio Directo. O seu CMD Tenente, cujo nome não me recordo, colocou todos os meios à minha disposição, enviando para o Aeródromo o carro oficina.
Pela manhã, a torre estava pronta e faltava coloca-la na vertical. Era uma torre frágil e estreita. Assim que a torre começa a ser içada, dobra pelo meio e foi preciso nova intervenção. A pressa era muita, pois o Cap. Pilav Oliveira ia chegar pela manhã no Dakota e era uma pessoa de poucas falas e com certeza que não gostaria de chegar sem ter perguntado pelo rádio, como estava o WX, para os menos familiarizados, quer dizer meteorologia.
Depois da nova reparação, a famigerada torre sempre se ergue sem problemas e este rapaz, teve de subir à mesma, toda a abanar, sem cinto de segurança porque não havia e prender as respectivas antenas.
Neste destacamento, as peripécias não terminaram por aqui, pois quando no termino da estadia no AM, tinha de trazer um equipamento Emissor/Receptor, que tinha avariado e não podendo ser intervencionado no mesmo e somente em Henrique de Carvalho.
O dia chegou, a manhã estava bonita e o dia óptimo para voar.
Chega a nossa barcarola, a rendição foi feita e já estávamos dentro do avião Dakota, claro, o mecânico de bordo, manda por os motores em marcha, depois de um deles se ter recusado por diversas vezes a funcionar. Começamos a rolar para a pista e eis que o pessoal que tinha ficado, começa a acenar e a gritar. O motor em causa estava a arder.
Foi dada ordem de evacuação e toda a gente saiu a correr muito. Com os extintores da unidade, lá se debelou o fogo e já não saímos dali.
Mais dois dias de espera até que chega uma equipa de manutenção. Aproveitamos o avião para regressar finalmente.
À chegada À placa do AB4, tinha o Cap. Fausto Cruz À minha espera e À espera do transceptor.
Então Sr. Eduardo, trouxe o rádio? Não Sr. Capitão, o rádio ficou e está ainda hoje dentro do avião que começou a arder.
É verdade. Só quando estávamos em voo, é que me apercebi que o equipamento tinha ficado. Ainda pedi ao OPC da tripulação, para contactar o Cazombo, mas um dos nossos grandes problemas eram as comunicações serem muito difíceis entre os pontos e com as aeronaves. Equipamentos bem usados e com problemas de estabilidade, desviando muitas das vezes da frequência devido à temperatura.
A promessa, foi de imediato “O Sr. vai levar uma porrada”. O nosso Cabo Especialista Eduardo Mata, começou a argumentar e lá conseguiu desempecilhar-se da situação, ficando tudo bem.
Em 11 Março de 1974, regresso à metrópole para frequentar o curso de furriéis. Estive de licença durante uns dias e logo de seguida, tivemos a 16 de Março a tentativa de golpe militar contra o regime. Só o Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha marcha sobre Lisboa. O golpe falhou. São presos cerca de 200 militares, alguns deles decisivamente envolvidos na preparação da "Revolução dos Cravos".
O 25 de Abril logo a seguir e as férias continuavam. O curso que era para começar em Março, só começou em Junho e em Setembro/Outubro de 1974, sou colocado na Base Aérea nº 5 em Monte Real.
A promoção chegou e só passados uns dias e por imposição, coloquei as divisas dos 3 bicos para baixo.
Monte Real, foi a Base que mais saudades me deixou. O bem-estar e a camaradagem existentes, eram os sentimentos mais presentes em toda a rapaziada, pois para além de estarmos numa Base que mexia, a maior parte tinha regressado do ex-ultramar. Ali convivi com o meu grande amigo Fernando Duarte, MMA e natural de Coimbra, o qual o conhecia desde Moçambique da B.A. 10
Em 10 de Março de 1975, vou a Lisboa, para tratar de assuntos relacionados com a vida militar. Estou em Paço D’Arcos e tinha acabado de sair da messe, quando olho para o céu e vejo dois T-6 armados com os ninhos de roquetes. Olho o portão e estava fechado. Imaginei de imediato que estávamos de prevenção.
Qual o meu espanto, sinto uma mão a agarrar-me o braço e ouço “O Sr. Furriel está detido” Era o Maj. Figueiredo do exército que questionou a minha presença naquela unidade. Lá lhe expliquei o que estava a fazer, que tinha ido buscar o diploma do curso e que dali, pretendia seguir para a Direcção do Serviço do Pessoal na rua António Augusto de Aguiar, perpendicular à Av. Fontes Pereira de Melo.
Depois de um grande interrogatório, o Maj. telefonou para a Base de Monte Real e o CMD, na resposta, disse-lhe que desconhecia a minha presença na Escola Militar de Electromecânica.
Nessa ocasião comecei a ficar preocupado, porque o Sr., não acreditava em mim. Então perguntei se ele podia dispensar um subordinado por um dia sem dar conhecimento ao CMD, ao que ele me respondeu que sim. De imediato lhe disse, pois foi o que se passou comigo. O meu chefe directo, Cap. Pinto autorizou-me e eis a razão porque estou aqui. Voltou a ligar confirmou a situação e fui o único para quem os portões se abriram para sair.
Chego a Lisboa e sem saber o que realmente se passava. Entro na D.S.P. e o alvoroço era enorme. Só via gente à civil a correr de gabinete em gabinete, até que alguém me perguntou o que ali estava a fazer e que de imediato desaparecesse e tirasse a farda.
O CMD na época era o TCor. Morais e Silva. Homem extremamente humano e de grande carácter, que sofreu algumas situações nada agradáveis, tais como uma comissão de militares da Base ter entrado pelo gabinete com G-3 e fazendo inquirições, mais parecendo um tribunal popular. Viviam-se tempos conturbados. Outra situação, foi a do Gen. Lemos Ferreira que se deslocou à Base e na sala de briefing, sofreu a mesma pressão, tendo chegado a ficar com os olhos molhados.
Nesta fase a extinta Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), que foi um grupo formado por exilados em Paris e que foi organizado por Emídio Guerreiro que depois foi um dos fundadores do PPD/PSD. Estavam sempre presentes naquela unidade, que era a mais operacional.
Mais tarde, em 1975, sou colocado na Estação de radar, Esquadra 12 em Paços de Ferreira, onde encontrei muitos camaradas que estiveram no Negage.
Outra grande confusão, foi o 25 de Novembro. Entramos em prevenção, chegando a montar metralhadoras no meio dos pedregulhos existentes no cimo da serra. O Comandante da época, era o Ten. Cor. Braga, uma excelente pessoa, homem de grande carácter, humano, amigo, sempre defensor do seu pessoal e que nos acompanhou durante mais uma façanha de alguns. Aliás, toda a guarnição, estava bastante unida e pronta a defender a unidade militar.
Abriu o 1º Curso de Formação de Sargentos em 1977 e lá fui outra vez até à “universidade” de Paço D’Arcos, a tão famosa Escola Militar de Electromecânica.
Era um curso com uma duração de 2 anos, mas já com alterações substanciais no que se refere à carga horária. Filosofia, Psicologia, Literatura, Inglês, Inglês técnico, Português, Organização militar, Sistemas de aeronaves e tantas outras que o tempo me fez apagar da memória. Para além das disciplinas da área, como Electrónica linear, Electrónica digital, Servomecanismos, Maquinas eléctricas, Electricidade. A mais interessante, era a ordem unida, que de ordem e unida, não tinha nada. Essa disciplina, era dada por um 2º Sarg. Pára-quedista, mas maçarico e que nunca tinha cruzado o Atlântico, nem que fosse até às Berlengas. A cena era que todo a turma do curso, tinham a tarimba do ex ultramar e não estavam para receber ordens do rapazinho com meia dúzia de dias de tropa.
Éramos cerca de 25 alunos e grande parte deles casados e já com filhos. O resultado foi que o Pára, pediu a transferência para Tancos, para junto da família das boinas verdes.
Concluí o 1º Ano com bom aproveitamento e a duas semanas do final do curso, já no 2º ano, pedi a passagem à disponibilidade, tendo regressado à Esq. 12, onde fiz o desquite.
Meus caros amigos, tal como dizia o saudoso Raul Solnado, Esta foi a historia da minha vida como militar.
Dessa vida, sobrou um hobby, que é o radioamadorismo.
Quero deixar-vos um grande Abraço, em especial ao Rui Neves, grande impulsionador deste Blog.
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