segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

ANTONINO NEVES

ANTONINO B. NEVES

1º. Cabo EABT 70-72




FAP-Especialistas, porquê? 
Realisticamente, duas boas razões: era "fixe" e fundamentalmente não se ia parar ao mato ! 
Há época para fugir a esta situação, havia duas soluções: optar por uma arma que não pusesse em causa o canastro, ou pura e simplesmente pirar prá estranja. 
Como na minha zona – Leça do Balio – já estavam na FAP como especialistas, o Rogério Seabra, o Quim Gomes/MELEC, o Fernando Coelho/EABT, o António Mota/MELEC, o Ricardo Carneiro/MMA, para além do Seabra e o Germano na pilotagem, cá o rapaz também apresentou a sua candidatura e pronto aí foi ele rumo à Ota – recruta e especialidade.
Fui incorporado em Maio/68. Recordo-me do Alferes Campelo, o comandante da recruta era um tal major (?) McBryde (?) bom sacana e que se constava ter ido gerir aquela recruta por castigo. Outro cromo jeitoso que nos calhou em sorte foi o José Cid e o seu carocha. A coisa até nem correu mal, alguns pequenos incidentes, que culminaram dois ou três dias antes do juramento de bandeira por ir prá casa da rata, acompanhado por mais alguns jeitosos e de onde saímos directamente para ir jurar bandeira e após a respectiva carecada. Valeu-nos não termos perdido a recruta. A especialidade, como tinha formação liceal/administrativa, optei por Abastecimento em detrimento de outras "artes" em que eventualmente poderia falhar. Acho que ganhei e ganhou a FAP... um bom Ramfa!!! Colocação pós especialidade: Desejo normal de qualquer um de nós, ficar o mais próximo da casinha, né? Sendo um gajo do Norte. Hipóteses? São Jacinto e Paços de Ferreira. Na época e nos tempos actuais, o Norte continua a ver passar aviões, navios e daqui a pouco até infantaria e cavalaria. Tudo prá capital do reino e arrabaldes, sim senhor! Bom deixemo-nos de políticas, que não foi pra isso que eu aqui vim. 

Então, sou colocado no GDACI-Monsanto e posteriormente em Montejunto. Apesar de tudo nada mau, boa camaradagem, bons ares, boas instalações, boa alimentação, bom binho da colónia Penal de Alcoentre, que foi muito útil para ganhar preparação para o que se avizinhava e que não foi a ida para Paços de Ferreira, mas sim: 
ANGOLA: Quando já não esperava, pois já tinha praticamente 2 anos e meio de serviço, eis que sou mobilizado. Paciência, não estou engajado (de gaja), não conhecia África, vamos lá para Angola, vamos lá cumprir o nosso dever patriótico de defesa da Pátria. E assim me embarcam, após várias tentativas canceladas, no dia 3 de Outubro de 1970, em Boeing fretado à TAP. Entretanto quando sou mobilizado, procuro informar-me sobre as nossas bases em Angola e as opiniões eram unânimes: BA9, Comando RA, DGMFA , AB3-Negage e por último e sinónimo de desterro/castigo AB4-Henrique de Carvalho. 

Ao chegar a Luanda, apercebo-me que sou dos mais velhos, e penso é canja, vou ficar aqui. Grande erro meu, pois fui comido por todos e nem para o Negage fui. Pois é, as cunhas FAP funcionaram à máxima potência! Também não reclamei e deixei os citadinos em paz.
Mas como se veio a verificar foi porreiro e vi-me livre dos mosquitos de Luanda. 
AB4-Henrique de Carvalho: Quando chego ao AB4 e me deparo com aquele ambiente da chegada do Nor, a imensidão da base, arruamentos de terra (convém salientar que o alcatrão só chegou à base e HC em 1971), capim, o ar desalinhado daquela malta, logo os meus iniciais receios me ocorrem. Não me lembro quem fui substituir se o Fevereiro, o Ramiro? Mas de quem me lembro bem é do Ramalho, de Estremoz. Era do meu curso e já lá estava à perto de um ano e que como tal funcionou como cicerone e instalador. Fui logo nomeado pelo Carlos Agante e Vitor Rego, responsável pelo abastecimento do Bar da Esquadrilha, a Nocal nunca podia estar em falta, atenção! A adaptação foi rápida e eficiente dado o meu tirocínio em Montejunto, fui logo introduzido no esquema vigente, muita cerveja, muito whisky e petiscadas. Havia que combater a roubalheira vigente nas messes, em que o famoso 365 prevalecia, o peixinho idem e onde faltava quase tudo. Esta situação motivou durante o primeiro ano, várias manifestações de desagrado, nomeadamente aquando da visita do Secretário de Estado. 
Na Esquadrilha as coisas funcionavam de acordo com as necessidades, sendo a especialidade mais importante de qualquer guerra, lá íamos cumprindo a nossa obrigação, às vezes a contra gosto. 
Tínhamos um grande comandante, o Capitão Maia, a quem nunca poderíamos deixar ficar mal. Aí vim a reencontrar o chefe Lopes, bom moço mas malandro, com quem já tinha estado em Montejunto. 
No fundamental era uma equipa solidária e impecável, incluindo os civis: Mário, Tito, Jaime, Zé, o "turra" Mateus, o Munhica "meu sogro" e em que apenas um "rato d'agua" de vez em quando atrapalhava. 
A vidinha foi correndo, o clima era bom a amizade melhor, entre a base e a cidade lá fomos criando as nossas amizades. Para fugir à rotina, ofereço-me para fazer umas colunas ao Luso, das quais abdico após um susto na zona do Bussaco. Com o mesmo espírito participo em algumas caçadas, primeiro a pé e de ginga com o cabo SG Bragança e mais tarde de uma forma mais profissional, com o Sarg.Mira e o Pereira de São Manços (Só Manços 4 para aferroar!!!) 
Participo nuns raids a Luanda e Negage para participar nos campeonatos de Andebol. 
Sem grande insistência "mandaram-me" de férias ao Puto, viajando já nos nossos Boeing. 
Resumindo, passei 2 anos e um mês, até 7 de Novembro de 1972, em HC.
Novamente o GDACI: De regresso e para finalizar, que isto já está a ficar longo, de novo Monsanto, passagem para Montejunto e finalmente Paços de Ferreira, onde acabo por participar no 25 de Abril, ficando de prevenção e, inviabilizando uma lampreiada que estava aprazada para Entre-os-Rios, com os meus amigos António Mota, Ricardo Carneiro e Quim Gomes (ex-esp). Logo depois, a disponibilidade. 
Conclusão: A minha passagem pelo AB4-Henrique de Carvalho, um local que à partida se apresentava pelos mais variados factores, como o mais complicado de Angola, com os seus problemas vários, teve a grande virtude que nenhum outro teve, o de constituir grandes sentimentos de amizade entre especialidades, entre sectores e chefias, que prevalecem até hoje. Julgo ser caso único a nível da FAP. Os meios e formas que nos mantêm unidos até hoje, seja pelos encontros anuais - dois -, seja pelos sites e blogues e até aqui pelo "Emplastro dos Mails" , são incomparáveis. Assim nos mantenhamos muitos mais anos...carago!!!! 
Quero salientar, que o tom aligeirado e de alguma forma irónico, com que apresento este texto é uma forma de homenagear, aqueles de todos os ramos, que no terreno enfrentaram dificuldades de toda a ordem e muitos pagaram com a vida. Este assunto, continua sem ser reconhecido pela cambada de oportuno democratas deste país.
A. Neves

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